Unha Galiza

Madri amarga derrota e o fim do sonho olímpico de 2016

03/10/2009 · 2 Comentários

Publicado originalmente no Terra Magazine em 2 de outubro de 2009.

Madri amarga derrota e o fim do sonho olímpico de 2016

Ana Carolina Moreno, de La Coruña
Especial para Terra Magazine

Quando foi anunciada a eliminação de Chicago, as dezenas de milhares de pessoas reunidas no centro de Madrid levantaram exultantes suas coloridas e gigantes mãos – o símbolo da candidatura da capital espanhola para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Pela televisão, parecia que anunciavam que o evento voltaria à Espanha depois de 24 anos. Madrid havia recebido o maior número de votos na primeira rodada e o clima de lembrava, inclusive, o carnaval de rua brasileiro. Ainda que só tenha durado algumas horas.

Desde o domingo, quando a Espanha iniciou a reta final de sua campanha, o símbolo da candidatura (uma mão colorida com os cinco dedos esticados, que indica, segundo seu criador, a “unidade das diferentes culturas, pessoas e nacionalidades que convivem em Madrid” e também uma “saudação amigável onde se aprecia a abertura de Madrid e sua gente”) se difundiu pelo país. Os canais de televisão deixaram a marca permanente em suas telas, ao lado de seus próprios logotipos, e a rede social Tuenti, que está para os internautas espanhóis assim como o Orkut está para os brasileiros, contava em sua página inicial o número de pessoas que haviam aderido à campanha e publicado símbolo em seus perfis. A cifra ultrapassou os seis dígitos, mas minutos após a vitória do Rio de Janeiro já havia desaparecido do site.

Os espanhóis críticos ao peso que Madrid tem em relação ao resto do país ocuparam esse espaço recém esvaziado com suas versões do símbolo: uma mão só com o dedo do meio estendido ou um sinal negativo feito com o dedão.

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A crítica vai além de uma rivalidade entre Madrid e Barcelona, como se daria entre o Rio e São Paulo: a identidade espanhola em si já é um tema sensível, pois depois de anos de ditadura franquista e repressão aos costumes e idiomas regionais, a liberdade de cada comunidade autônoma sempre vira uma questão de debate quando qualquer região recebe mais atenção, seja ela financeira, política, midiática ou de qualquer outra natureza. Em algumas regiões, como Catalunha, Galícia e País Vasco, que asseguraram maior autonomia lingüística, o movimento dos anti-nacionalistas (que se opõem à centralização do poder personalizada pela capital) é ainda mais forte e se revela inclusive em temas que apenas os afetam indiretamente, como a decisão do COI desta tarde.

O novo lema dos opositores à candidatura da capital espanhola também foi criado em poucos minutos: “Me Río de Janeiro” (“Eu rio de Janeiro”, um trocadilho com o nome da capital fluminense e o verbo rir). Enquanto alguns se conformam em já saber que seria impossível uma vitória espanhola, já que os Jogos Olímpicos de 2012 serão em Londres e nunca antes um mesmo continente sediou duas Olimpíadas seguidas, outros aproveitam para azedar ainda mais o gosto da quase vitória.

Se no Brasil a crítica é a de que o governo precisa investir em educação, saúde e outros itens básicos antes de querer gastar mais de 14 bilhões de dólares em um evento esportivo, inclusive depois da gestão de qualidade duvidosa dos Jogos Panamericanos de 2007, na Península Ibérica se discute se o país deveria ou não perder tempo e dinheiro com essa candidatura em vez de se preocupar em sair da crise. Na lista de países mais desenvolvidos, a Espanha é a que mais vem sofrendo com o desmoronamento do sistema financeiro internacional do ano passado. A taxa de desemprego, por exemplo, segue na casa dos 20%, o dobro da média dos vizinhos europeus. Depois de lamber suas feridas, pelo menos Madrid não terá mais distrações, segundo dizem os mais pessimistas.

Terra Magazine

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uma feliz constatação

27/09/2009 · Deixe um comentário

Chuva por todos os lados na Espanha, menos na Galícia!

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POST DUPLO: Deu no jornal #4 + O fim do meu verão

21/09/2009 · Deixe um comentário

Foto: Horizontal Integration (flickr)

Foto: Horizontal Integration (flickr)

Pra mim, é uma daquelas notícias que prova o quão irreal é o jornalismo. Porque se esse foi o verão mais quente desde 1970, então eu moro na Sibéria há dez meses e ninguém me avisou.

«Seguimos en la tónica de veranos cálidos, en la línea del cambio climático», precisó Ángel Rivera, portavoz de la Agencia Estatal de Meteorología (Aemet), en el habitual balance estacional del organismo.

Tudo bem, tudo bem, se eu estiversse na Andalucía ou na Cataluña estaria contente com o fim do calor sofrível que se enfrentou por ali. Até que o tempo melhorou na Coruña depois de julho, e fora a última frente fria, que foi embora antes do previsto, ontem à tarde, eu nem lembro de ter sofrido de maneira exagerada. Um mês e meio de verão. Acho que saí no lucro até.

Foto: Mr Jaded (flickr)

Foto: Mr Jaded (flickr)

Passei a semana passada preparando a despedida. Arrependida de pensar que
aquele vento só se tornaria mais forte,
o sol mais fraco,
a noite mais comprida,
o dia mais curto.

Tentando lembrar como é que eu me levantava às 7h30 todos os dias, quer dizer, noites. E como eu contei os dias entre o Natal e a primavera até que a luz dos postes já estivessem apagadas quando eu saía de casa.

Antecipando a depressão que certamente virá. Perguntando-me porque decidi ficar até o próximo verão, como é que me convenceram, devo ser uma grande tapada mesmo, pior, masoquista, só pode ser, será que encontro uma terapeuta boa e barata no novo bairro onde eu vou morar?

“Acabou o verão”, avisei no fretado terça-feira, enquanto ainda batia um solzinho. “É, o verão se vai hoje”, lamentei na quarta, observando o céu azul. “Pelo menos passei o último dia do verão em Barcelona”, comentei com a senhora que dividiu o táxi comigo desde o aeroporto, quando aterrizamos na típica Coruña chuvosa.

Que dia feio foi sexta-feira. Voltei para casa com meu colega da editoria enquanto comentávamos que aqui só há duas estações: um pouquinho de verão e direto pro inverno. Mas ele se lembrava de vários dias de outubro com a praia lotada. Isso há muitos anos, “antes del cambio climático”.

No sábado, abri o armário, respirei fundo, aceitei a mudança inevitável e apareci no estádio para o jogo do Dépor com meu uniforme: botas, sobretudo, gorro e cachecol. Trocando de cadeira para aproveitar todos os raios de sol que as nuvens deixavam passar.

E hoje escrevo essas linhas com as pernas de fora e uma blusa regata. Acho que eu moro mesmo é em São Paulo.


autoliniers.blogspot.com

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Vídeo: o que andei fazendo nesse verão

26/08/2009 · Deixe um comentário

passeios por Coruña (comida da Andaluzía e de Aragón nas Casas Regionais e uma antologia da Rosalía de Castro na Feira do Livro Antigo) / jogo do Deportivo La Coruña (perdemos pro Atlético de Madrid) / batalha de fogos (ganhou Riazor de lavada) / jantar de despedida da Mary (ela e a Domy no fim abriram a garrafa de vinho) / jantar com meus amigos na Raxaría As Neves (e depois um show torturante do Raphael) / um pacote que a mamis enviou pelo correio (o par de botas, dono original da caixa, veio junto) / visita da Marina e da Azucena (o Miguel, marido da Susy e pai da Montse ficou de fora do vídeo…) / passeio pelo Parque Eólico da Galícia (os moinhos são gigantes, e há centenas deles!) / picnic em San Andrés de Teixido com os meus amigos portugueses Pedro, Melanie e Jorge / apresentação do Ibrahimovic como jogador do Barcelona (sim, eu estava ali, logo ao lado dele, no Camp Nou).

Off to see the world (ten fun things I did this summer) from Ana Carolina on Vimeo.

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Deu no jornal #3: As raízes galegas dentro de cada um de nós

25/08/2009 · Deixe um comentário

Ontem de manhã chegou a notícia na redação: a Galícia ganhou o Miss Universo. Adivinha qual foi a foto da primeira página do jornal de hoje?

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- Ué, mas não era venezuelana a menina que ganhou o concurso?

Claro. Mas descobri que um segredo não muito bem guardado, porque proclamado a sete ventos por aqui, é que todo mundo é galego.

Todo mundo mesmo. Martin Sheen nasceu aqui e emigrou. Seus filhos, ora, são galegos.

O inventor do pebolim é galego e há ainda uma controvérsia sobre a origem de Cristóbal Colón (ou Cristóvão Colombo), que muitos dizem ter nascido em Pontevedra.

Fernando Torres, o Niño da seleção espanhola, passava as férias na Costa da Morte e teve um filho com sua namorada galega. É, portanto, galego.

Dois dos cirurgiões que ajudaram no primeiro transplante de cara da Espanha são galegos, ainda que só um deles tenha nascido na Galícia.

O sangue revolucionário de Fidel Castro de onde vem? Daqui! Seu pai também é um emigrante. A Marina contou bem a história de como descobrimos que todos, provavelmente até eu e ela, e inclusive você, temos raízes aqui.

Seguindo este raciocínio, é galega Stefanía Fernández, a venezuelana de 18 anos coroada Miss Universo no domingo. Seus avós, como milhares de galegos, emigraram na década de 50 para a Venezuela. O casal retornou em 2001, mas a maior parte da família se encontra lá. E, segundo garantiu a avó da miss no jornal de hoje, todos os seus netos e bisnetos são lindos.

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Três dicas para sobreviver ao verão coruñes

17/08/2009 · 1 Comentário

Não chove há dez dias. Meu lema “mais sol, menos problemas”, adotado em 21 de junho de 2009, andava muito bem apoiado em uma das pernas: os problemas já estavam todos resolvidos, menos a tal pergunta “quando é que você volta, hein?”, que eu tinha que ouvir três vezes ao dia. O sol… nem tanto.

Além dos três dias secos e quentes que passei em Barcelona, minha situação atmosférica ia de mal a pior. Nesses últimos dias, sem embargo (portunhol proposital, rá!), sigo mancando, só que com a outra perna. É claro que esse período tem data de validade: o problema é minúsculo, e a chuva, de acordo com os meus nove meses de experiência intensiva, é iminente. Enquanto dias melhores e menos ensolarados não chegam, escrevi a muleta abaixo para distrair a cabeça.

1) Fique por dentro do vocabulário: muitas palavras são iguais em espanhol, mas o significado é completamente diferente.

Verano = período de duração indefinida que, na Galícia, colocam entre a primavera e o outono para indicar aqueles poucos dias depois que a grama voltou a crescer muito e antes de as folhas das árvores começarem a cair. No resto da Espanha, significa o mesmo que no Brasil.

Viento = sinônimo de ar, ou oxigênio, ou qualquer coisa que está sempre (e quando eu digo sempre eu quero dizer sempre) ao seu redor quando você não está entre paredes

Solárium = lugar onde as pessoas vão para ganhar aquela cor de cenoura que só o bronzeamento artificial pode impregnar na sua pele

Crema solar = protetor solar

Áftêssún = loção pós-sol, ou after sun

Arena = grande conjunto de pedras minúsculas que servem para arranhar os banhistas nas praias de Riazor e Orzá

Sol = uma estrela grande que ilumina o nosso dia, mas nem sempre nos aquece

Aire condicionado = a praga que persegue no trabalho, nos carros de todos os meus amigos, no fretado e em todos os recintos nos quais eu entro que não são a minha casa (e meu otorrino tinha razão, aqui, longe dos trópicos, eu não tenho tanto problema respiratório…)

Cangas = uma cidade no sul da Galicia, lar do meu amigo Xavi e do amigo dele, Wally. Eu sou a única pessoa que vai de canga à praia, aqui eles só usam toalha e vão de roupa mesmo.

2) Revisite suas expectativas: as chances de uma pessoa conseguir um bronzeado duradouro e muitos dias de diversão na praia são mínimas, a não ser que:

- Ela esteja de férias (não é o meu caso)
- Ela pegue cor fácil com sol fraquinho (não é o meu caso)
- Ela trabalhe naqueles horários sortudos, como de 8h a 13h ou 17h a 23h (o segundo era o meu caso, mas só durante um mês, justo quando o verão ainda era uma mentira)
- Ela tenha carro para ir facilmente à praia na hora do almoço, ou trabalhe ali ao lado de uma praia que não lote ou vente demais (não é o meu caso)
- Ela tenha saco para sacrificar a hora do almoço com um sanduba na praia lotada de trabalhadores no horário de descanso (obviamente não é o meu caso)

Às pessoas que sim se encaixam em algum item acima ainda precisam estar sempre alertas: biquíni e toalha na bolsa, só para o caso de o sol aparecer justo na hora em que você está de bobeira. A expressão carpe diem ganha um significado extremo nessa época do ano.

3) Faça cara de “tudo bem, tudo tranqüilo, tudo normal, não estou nem um pouco chocada”: os hábitos dos espanhóis na praia são muito distintos dos nossos. Para manter as boas maneiras, é bom não apontar, nem escancarar os olhos, fazer cara feia ou dar risada quando…

- Você encontrar uma véia fazendo topless. Sim, meninos, aqui a maioria das mulheres que aderem à liberdade protegida por lei de tomar sol com os peitos à mostra são justamente as mulheres que lutaram para conseguir essa liberdade. Ou as mães delas. Ou seja, elas já estão ligeiramente passadas. Mulheres jovens que fazem topless em geral são as que estão em praias onde têm certeza de que não encontrarão conhecidos. Não é atravessar a rua e encontrar a versão “off-line” do Paparazzo. Em compensação, minhas pesquisas de campo indicam que pelo menos metade das senhoras evitam a famigerada “marquinha do biquíni”.

- Você não encontrar protetor solar em nenhum canto. Talvez eles não pegam um bronzeado tão facilmente como eu pensava, mas minha numerosa equipe de investigadoras brasileiras notou que quase ninguém se protege dos raios UVA e UVB.

- Todo mundo estiver bronzeado no começo de junho e só você ser adepta da moda “gasparzinho”. Bronzeamento aqui é como chuva: rola o ano todo. Nessa cidade de 243.000 habitantes deve ter, com certeza, no mínimo uns 50 lugares para fazer bronzeamento artificial. Eu escrevi uma reportagem sobre o tema e visitei quatro centros, mas outro dia, na depilação, perguntei pra dona do salão se ali também dava para fazer e ela me mostrou a máquina que fica em um quartinho. Não me lembro de ter recebido um “nunca” como resposta de ninguém que eu questionei se já tinha feito ou não. Mesmo se não fazem mais, praticamente todo mundo já experimentou passar uns minutos naquele bicho estranho alguma vez na vida. Homens incluídos nesta cifra mais do que científica.

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Deu no jornal #1 e #2

22/07/2009 · 3 Comentários

Inauguro uma seção que vislumbrei desde 19 de dezembro de 2008, mesmo antes de criar esse blog (cada um tem o seu ritmo, né). Trata-se de um espaço para mostrar ao Brasil alguma notícia que me chamou a atenção por aqui. Em uma época onde as mesmas notas de agência são publicadas de maneira idêntica nos jornais do mundo todo, achei interessante que vocês pudessem ver algo que só descobririam se estivessem na Espanha, ou se tivessem uma amiga muito legal para selecionar e  publicar no blog. “Quem não tem cão caça com gato”, já diria alguém que eu anarinaria pela crueldade contra os animais.

Para reparar os sete meses de atraso da inauguração deste espaço, que terá até categoria própria, este será um post duplo! Não quero ser processada por negligência, até porque minha mãe está cheia de tarefas como minha procuradora e não terá tempo de aparecer em nenhum tribunal.

–#1

Começo com a notícia que inspirou esta seção:

Un becerro desata el pánico en A Coruña y causa cuatro heridos

bezerro

Sim, eu moro na zona urbana. Mas a cidade grande tem dessas coisas, né não, sô? Um bezerro nas ruas de Coruña.

Era um pobre animal que estava no matadouro quando percebeu que algum despistado tinha deixado alguma porteira aberta. Em galego, a palavra liberdade se traduz para “ceibe”. Foi por isso que o bezerro fugiu. Você faria o mesmo.

Claro que o pânico fez muita gente gritar, o que aumentou o nervosismo do bicho de 400 quilos e, claro, ajudou a espalhar ainda mais medo nessa cidade pacata. No fim, ele morreu a tiros (a polícia aqui tem dias emocionantes). Cliquem no link para ler a matéria em inglês e aproveitem para ver o vídeo da ação, que é impagável.

Para quem nunca leu notícia em jornal espanhol, reparem nas diferenças: as aspas são baixas (confesso que no começo achei bem estranho, mas hoje elas me parecem esteticamente melhores que as altas que usamos no Brasil). E, se a polícia não fornece os nomes das pessoas, a nota sai com as iniciais ou sem nada mesmo. Ninguém sai fuçando por muitos detalhes.

– #2

Agua demasiado fría para un socorrista brasileño

socorristaFoto: Óscar París

Eu morro de ódio quando vejo alguém bronzeado na rua porque ainda não consegui qualquer pinta de “morenice” até hoje. Mas não tenho inveja nenhuma das horas diárias que o Daniel Jadach Oliveira Lima passa na praia coruñesa de Orzán. O meu conterrâneo encontrou um emprego de salva-vidas. Ou seja, tem que entrar na água para resgatar as pessoas.

O Oceano Atlântico do lado de cá, como bem me havia alertado o meu amigo Maurício, é gelado. Eu já pisei nele, mas foi só pra dizer que tinha entrado no mar. Não passei da canela, é óbvio. Agora imagina ser obrigado pela profissão a mergulhar o quanto for necessário? Daniel é um herói. O governo brasileiro precisa dar uma medalha a este homem de coragem infinita. Leiam o texto para ver como o pobre coitado sofre diariamente. Come o pão que o diabo amassou e depois mergulhou num balde de gelo.

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Mi casa está vacía

21/07/2009 · Deixe um comentário

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Me siento en casa cuando el sonido del agua de tu ducha cesa y me despierta. Cinco minutos llenos de pequeños ruidos de toallas, productos de belleza y zapatillas después, abres la ruidosa puerta y sé que me toca levantarme.

Me siento en casa cuando el secador de tu habitación me recibe tras mi ducha. Mientras me arreglo en medio a mi caos, tú te arreglas en medio a tu impecable rutina.

Me siento en casa cuando llego a la cocina para el desayuno antes de ti y te veo mezclar leche caliente en los cereales. Y también cuando tú llegas antes de mí y, cómo tienes más tiempo, te haces una tortilla francesa para que no sientas hambre antes de la comida.

Me siento en casa al escuchar tus indefectibles pasos mientras haces todo eso. Toc, toc, toc, los tacones acompañan el ambiguo ritmo de tu cuerpo: rápido y asertivo, señal de alguien que sabe dónde va, y al mismo tiempo delicado y calculado, una revelación de tu omnipresente feminidad.

Me siento en casa cuando llego a la cocina y me obligas a guardar los platos en el fregadero, porque ya no hay un centímetro libre para nuevos platos mojados. Porque fuiste la última en usarlos y prefieres siempre usar todo el espacio libre posible para no tener que guardarles. Guardar a los platos es mi especialidad: lo hago a toda velocidad y meticulosamente arreglo las ollas conforme su tamaño y forma. Limpiar a la cocina, sin embargo, es tu especialidad. Me siento en casa cuando veo el brillo perfecto envolviendo a las tres bocas de gas y la cuarta, eléctrica.

Me siento en casa cuando escucho tu suave ronquido en las noches después que bebes vino, tu suave canto mientras tocas tus canciones favoritas en tu habitación, y nuestros nada suaves cotilleos durante las periódicas sesiones de limpieza de ventanas.

Me siento en casa cuando tu móvil empieza a tocar a la canción de Oasis Stand By Me y me trae recuerdos de mi otra casa. O cuando busco, siempre sin éxito, por la chocolatería en Los Rosales donde entramos una noche fría y lluviosa. Allí tomamos el mejor chocolate de la ciudad mientras nos reíamos de las inmensas dificultades que enfrentábamos para encontrar una casa. Me dijiste que no me agobiara, que tuviera paciencia, porque nuestra casa luego se revelaría para nosotras.

Mi casa está vacía.

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Os perigos de escolher o caminho menos trilhado

13/06/2009 · 4 Comentários

Uma transcrição dos meus pensamentos antes de tirar as fotos abaixo:

- Droga, desci um ponto antes do que deveria. Vou ter que tomar chuva com essas sacolas agora.

- Nunca vou saber os itinerários dos ônibus em Coruña. Também, quem manda fazer tudo a pé ou de carona? Bom, mas ninguém mais sabe exatamente a rota das linhas…

- Mas essas árvores até que estão bonitas assim, todas molhadas. Acho que vou tirar uma foto.

- Putz, o cara tinha que descer o barranco logo agora, para estragar meu quadro? Passa logo que eu quero tirar a foto e ir pra casa!

- Olooooco! Que tombaço!

tombo

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Morno nunca! (infelizmente)

04/05/2009 · 2 Comentários

Aperte play abaixo e escute enquanto lê:

Em espanhol, “templado” significa “morno”. Segundo a Real Academia Española, que fiscaliza todos os meus passos nesse país, com mais afinco que qualquer órgão policial, há muitos significados para essa palavra, mas fico com o número 3:

“Que no está frío ni caliente, sino en un término medio.”

Ou seja, morno.

O problema, nesse caso, não é a distância entre a RAE e o idioma vivo que se fala por todos os cantos (e ainda se mistura, aqui no meu paizinho, ao galego, e cria uma intrigante teia lingüística onde ou existem inúmeros idiomas, ou todos sao um só). O problema é que não existe morno na Espanha. Nada tem a temperatura em um termo médio, que não está frio nem quente.

Exemplo 1: a torneira da cozinha. Para lavar a louça, é ótimo não ter apenas água fria, porque é a quente que ajuda a tirar a gordura dos pratos. Então abro a torneira no meio, um pouco mais para o quente, porque não quero água fria, mas meus dedos não querem se queimar. Resultado? A água fica fria. Solução? Abrir a torneira no lado quente e agüentar o máximo que der, mudar para a fria para dar um alívio e voltar a enfrentar o fogo líquido. Adivinha quem demora mais para lavar a louça? o/

Exemplo 2: as torneiras da pia do banheiro. São duas: a quente e a fria. A quente fica à esquerda e tem um sinalzinho vermelho. A azul da direita, obviamente, indica que dali a água só sai para congelar. Parecem torneiras normais, universais, nenhuma problema cultural. Já estão com a borracha um pouco gastas, e por isso a pressão não é das melhores. Para o simples ato de enxagüar a boca depois de escovar os dentes, não posso abrir apenas a quente, que me queima em cinco segundos e, aos dez, só cai um fiozinho de água.Felizmente, em se tratando de demora, a Nita é quem ganha, porque eu não faço escova nem passo maquiagem antes de sair de casa.

Exemplo 3: as torneiras do chuveiro. Seriam iguais às do exemplo 2, não fosse sua posição estratégica, que aumenta exponencialmente seu potencial de destruição. Todas as manhãs estou eu ali, com o órgão mais extenso do meu corpo totalmente vulnerável, enfrentando o bendito chuveiro anti-morno sem qualquer possibilidade de defesa. Me lembra meu amigo Fred, que adora a expressão “Quente ou frio. Morno nunca!” Entro com cautela, como o Mario (o irmão do Luigi) quando vai à sala onde precisa enfrentar o chefão antes de passar de fase. Viro o chuveiro para o lado da parede, para não ser atingida de primeira por esse bicho imprevisível, começo a temperar a água com a torneira da banheira, onde só as minhas mãos enfrentam o monstro temperamental, enquanto meus pés tentam fugir da água que escorre. Giro a da esquerda 300 graus, e a da direita apenas 90. Depois de cinco meses de prática quase diária, é essa a posição mais próxima que encontrei do tal templado.

Na verdade, é um quente mais ou menos tolerável, porque durante o banho começa outro ritual. Depois de alguns minutos, a água esquenta cada vez mais, mesmo que eu não mova a torneira. Então começo a abrir a torneira fria, olhando para o outro lado, assoviando como quem não quer nada, tentando despistar o Bowser Koopa e salvar a princesa. De milímetro em milímetro, em busca do morno. De repente, Bowser grita:

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“¡Aquí no hay templado! ¡Grawr!”

E eu grito uma frase impublicável, mas que rima com “puxa, que frio!”.

Volto ao ritual primeiro: fecha tudo, abre torneira da banheira, 300 graus à esquerda, 90 à direita, espera esquentar, e segue a vida.

Já tentei agüentar o calor vulcânico, mas depois fico com a pele seca e vermelha. Sem contar a tortura do durante. As outras chicas que moram comigo nunca tiveram problema com a água quente. Adivinha, então, quem leva mais tempo na ducha? o/

Aperte play abaixo antes de ler o resto:

E qual o motivo dessa história toda? Como diriam os gênios do Monty Python: “always look on the bright side of life”.

Sábado quebrou o aquecedor. A água de casa tá mais fria que o mar coruñes. Finalmente um incentivo eficaz para que eu vá diariamente à academia. Porque, entre lutar contra quente e frio (lá é igual), e agüentar só o frio…

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