Arquivo do mês: janeiro 2009

O ciclone

Sexta-feira, 23h30

Escrevo essas linhas com o computador fora da tomada e da rede mundial, porque o ciclone que está de visita em A Coruña acaba de provocar o terceiro blecaute em três horas. Só consigo ver parte do teclado e a tela, e escuto o vento batendo na janela externa. A Coruña ficou famosa por suas galerías, as janelas externas nas varandas e terraços. No meu apartamento, temos a doble ventana (janela dupla), que serve para proteger a casa do frio e evitar gastos com aquecedores. O ciclone, porém, não quer nem saber desses detalhes.

Lá fora, uma mão invisível parece usar os cabos de eletricidade como corda de pular, o que pode explicar a volta de uma luz mais fraca que o normal. O vento – dizem que chegou a 160 quilômetros por hora – abre e fecha as pesadas tampas da lixeira na calçada e me lembra a tampa da caixa de tic-tac, aberta com um simples peteleco.

Acessaria meu blog para ver a foto do céu azul desfazendo o mito de que aqui o inverno era rigoroso, mas a tempestade me impede de conectar qualquer conteúdo fora do meu HD. Fico com as imagens guardadas no C:, do pôr-do-sol visto da minha janela, e a lembrança de que eu aproveitei muito bem os momentos de sol que parecem agora tão distantes.

Minhas primeiras horas na Espanha também me vêm à mente. Durante a parada do ônibus que me trouxe de Madrid à Galícia, uma senhora coruñesa que se mudou para Madri com os pais, mas resolveu voltar à terra natal, me contou coisas ótimas sobre o inverno daqui: temperatura variando entre os 8 e os 18 graus, sem neve, tempo muito mais ameno que no resto do país. E em seguida penso no Vicente, cozinheiro venezuelano que me hospedou quando eu cheguei. “O frio entre pelos ossos”, respondeu ele quando eu mencionei as maravilhas que havia ouvido da senhora. Até duas semanas atrás, eu pensava que a reação do Vicente era apenas uma história típica dos latino-americanos que vêm viver aqui. Hoje deu para entender.

Quarto blecaute. Ok, ciclone, vou escovar os dentes no escuro, como Regina, Maria e Conceição fazem todos os dias, faça chuva ou faça sol. E dormir. Se você deixar, é claro.

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Sábado, 02h07

O La Voz de Galicia tem como manchete, nesse momento, uma notícia contabilizando as mortes causadas pelo temporal: 12 pessoas em toda a Espanha. Para quem achava que texto e vídeos do estilo jornalístico “mundo cão” era exclusividade brasileira…

A palavra de três mil euros de Kanouté

Por Ana Carolina Moreno
De La Coruña, especial para Terra Magazine

EFE

Marcou.  A comemoração de Kanouté lhe trouxe uma multa, mas ele diz que gostou do resultado

Marcou. A comemoração de Kanouté lhe trouxe uma multa, mas ele diz que gostou do resultado

Frédéric Kanouté é um homem de poucas palavras. Percebe-se pela maneira como responde às perguntas dos jornalistas e encerra as entrevistas acenando com um breve sorriso. Seus quase dois metros – faltaram oito centímetros para bater a marca – percorrem sem pressa os corredores do estádio de Riazor, casa do Deportivo La Coruña.

É a segunda vez em quatro dias que o atacante do Sevilla visita a cidade do noroeste da España: uma coincidência de agendas fez com que as duas equipes se enfrentassem três vezes seguidas, duas pela Copa do Rei e uma pelo Campeonato Espanhol. Três batalhas que terminaram em três previsíveis vitórias para o time do jogador nascido na França em 1977, mas naturalizado em Mali.

Na primeira delas, em 7 de janeiro, Kanouté anotou o segundo gol do Sevilla aos 39 minutos do primeiro tempo. Bem colocado na pequena área, recebeu um passe de Diego Capel e, sem muito charme, girou a longa perna esquerda de fora para dentro do corpo pra encaminhar a bola rumo ao à meta adversária. Mas pouco se lembram do lance ligeiramente desengonçado, porque foram os cinco segundos seguintes ao gol que percorreram o mundo.

Evitando a tradicional corrida pelo campo, balançando os punhos cerrados e contraindo os músculos faciais para chegar à mais fidedigna expressão de sucesso, o atacante se dirigiu aos cinegrafistas e fotógrafos, se desvencilhou dos abraços dos colegas e levantou a camisa branca do Sevilla, revelando por baixo uma camiseta preta apenas uma palavra, traduzida em seis idiomas: “Palestina”. Com boca e olhos bem abertos, para recuperar o fôlego e captar a reação imediata que seu gesto provocou, Kanouté colocou em prática o plano que idealizara quando Israel começou sua mais recente tentativa de aniquilar o arsenal de mísseis do Hamas às custas da população palestina.

Ele quebra o silêncio sobre o tema uma semana depois, quando o número de resultados do Google para a busca de “Kanouté Palestina” já havia passado de 40.000. Falando em espanhol correto, pausado e com leve sotaque francês, o jogador revelado pelo Lyon e com passagem pelas equipes inglesas do West Ham e do Tottenham deu a um grupo de jornalistas, após a partida, uma resposta simples e vaga:

– Fiz o que devia fazer.

A esta repórter, o titular da seleção de Mali afirmou ter evitado falar em público sobre o assunto por causa da grande repercussão que teve entre famosos e anônimos. Ele se diz contente pelas consequências de sua atitude e explicou que agiu sem pensar muito nelas:

– Não pensava muito na conseqüência, ainda que soubesse que talvez fossem me dar uma multa. Mas a minha motivação de fazê-lo ia muito além de uma multa ou sanção. Pensava que era uma boa oportunidade para eu sensibilizar as pessoas sobre o tema, e nada mais.

O próprio jogador, porém, admitiu que nem todas as reações foram de apoio. Mas, considerando que até o embaixador de Israel afirmou não ver nenhum caráter de incentivo à violência na mensagem, a consciência de Kanouté segue tranquila. O futebolista de Mali aceita sem a multa que levou pela atitude sem reclamar.

– A Federação Espanhola faz o que deve fazer.

Um time de futebol iraniano se ofereceu a pagar os três mil euros impostos pela entidade, valor estipulado no regulamento da Federação Espanhola de Futebol. Mas, para quem desembolsou 700.000 dólares para salvar uma mesquita em Sevilla prestes a ser despejada, a cifra não tira o sono, nem a calma, do jogador.

“Brasil! Filipe!”

Originalmente publicado em 10 de janeiro de 2009 no blog sobre futebol do qual sou colaboradora, o De Primeira.
Filipe Luis Kasmirski

O fim do ano de Filipe Luís, lateral do Deportivo La Coruña, foi agridoce. Apesar de poder visitar a família no Brasil e fechar 2008 com a classificação para a próxima fase da Copa da Uefa e uma vitória de 4 a 1 sobre o Recreativo de Huelva pela Liga, com direito a um golaço seu, o catarinense de Jaraguá do Sul sabia que encontraria seu Estado alagado depois das chuvas de novembro. E, ainda por cima, que teria de ver seu time do coração, o Figueirense, rebaixado.

Ouça trechos da entrevista concedida ao Blog de Primeira, onde ele fala sobre a diferença entre a importância que se dá à Copa da Uefa e o desdém que os clubes brasileiros dispensavam à Sulamericana, pelo menos antes do título conquistado pelo Internacional, sua adaptação à Espanha, a sombra dos antigos ídolos brasileiros no La Coruña, sua relação com a torcida deportivista e sobre o time que o revelou.

“Tenho um amor pelo Figueirense muito grande, um carinho, uma dívida com eles. Espero um dia poder voltar e me despedir lá”, afirma o titular da lateral esquerda do Dépor. ‘Feli’, como é chamado pelos companheiros de time, está escalado para a partida de hoje contra o Sevilla pelo campeonato espanhol. A equipe entra em campo às 20h (17h, no horário de Brasília) e uma vitória pode deixá-la pela primeira vez entre os quatro primeiros da tabela, zona de classificação para a Liga dos Campeões. Atualmente, o time ocupa a sexta colocação, último posto que dá acesso à Copa da Uefa 2009-2010. São 30 pontos em 17 jogos, com nove vitórias, três empates e cinco derrotas.

Segundo o camisa 3, o objetivo principal do Deportivo é chegar aos 42 pontos, número que geralmente garante a salvação contra o rebaixamento. “Se a gente conseguir isso antes do previsto, claro, vamos tentar brigar para entrar na Uefa ou quem sabe na Champions”, explicou, otimista, mas consciente da dificuldade de enfrentar times maiores, mais ricos e com vários pontos a mais.

Apesar de o fantasma do rebaixamento rondar La Coruña mesmo após anos sem descenso, a torcida coruñesa mais otimista vibra com a palavra Champions. E vibrou também em 21 de dezembro, quando Filipe, depois de correr por 90 minutos na partida contra o Recreativo de Huelva, conseguiu ser mais rápido que seu marcador e, ao receber um passe certeiro, encobriu o goleiro e marcou o quarto tento da goleada. “Brasil! Filipe!”, gritou o torcedor atrás de mim na arquibancada, quando o jogo acabou. Grito que já foi direcionado a jogadores como Bebeto, Djalminha, Mauro Silva e Donato.


No vídeo com os melhores momentos da partida acima, a jogada de Filipe começa a partir do 3:10.

Martes 13 + “No a la pornografía”

Hoje é terça-feira 13, o equivalente dos espanhós para a nossa sexta-feira 13. Até pensei em buscar más notícias pelos sites daqui para provar que um número aleatoriamente atrelado a um dia da semana pode mudar o rumo da história, mas fui incapaz. Afinal, eu teria que mudar meus conceitos sobre superstição, magia negra, três toques na madeira, não fazer festa de aniversário antes do dia oficial e brindar com um copo de suco.

Pensando sem a neblina dessas limitações, é claro que os jornais têm notícias boas e ruins, mais pendentes para as ruins porque ninguém gosta de ler que tudo vai bem.

Mesmo assim, prefiro não arriscar em publicar o texto que tinha pensado em deixar aqui. É sobre o jogador brasileiro aqui do Deportivo La Coruña e, como ele está em boa fase, prefiro não mexer com isso. Até porque publiquei o material no meu blog de futebol e horas depois a equipe dele perdeu de virada com um homem a mais. Fica para o fim de semana então, combinado?

Enquanto isso, deixo aqui uma reportagem minha publicada no Terra Magazine em novembro, para aumentar o volume de notícias boas no mundo. É sobre uma campanha de cyberativismo que reuniu 1.115 e foi um sucesso. Não há deus futebolístico capaz de arruiná-la.

Blogueiros planejam inundar busca dos pedófilos

Divulgação

Pôster da campanha online pornografia infantil NÃO! foi traduzido para oito idiomas

Pôster da campanha online “pornografia infantil NÃO!” foi traduzido para oito idiomas

Ana Carolina Moreno
De La Coruña, Espanha

Uma campanha espontânea entre blogs de vários países aproveita a data de hoje, Dia Mundial das Crianças, de acordo com a ONU, para trazer à luz ao menos uma parte das teias invisíveis da internet. A idéia surgiu depois que um grupo de blogueiros da Espanha descobriu um fenômeno comum entre eles: posts que usam como tags (palavras-chave usadas pelos robôs de busca) o termo “pornografia+infantil” acabam recebendo muito mais visitas que o normal, mesmo que o conteúdo tenha argumentos contrários ao assunto. E o fenômeno geralmente desequilibra a média de leitores durante várias semanas.

Ao perceberem o volume de internautas pesquisando, a qualquer momento, por este termo, eles decidiram reunir o maior número possível de escritores na web que aceitassem publicar, nesse 20 de novembro, um texto em seus blogs contendo a mesma expressão. A diferença é a adição, ao final dela, da breve e contundente palavra “não”.

Segundo o jornalista Nacho de la Fuente Lago, autor do La Huella Digital (A Pegada Digital), vencedor do prêmio de melhor blog em espanhol do The Best of the Blogs de 2006, o objetivo é “mostrar a quem tem interesse por esse tipo de material que eles estão procurando uma coisa ruim e errada”. Esses, segundo o blogueiro, seriam os pedófilos amadores.

Do outro lado, ainda mais obscuro, as redes organizadas de pedofilia continuam ultrapassando fronteiras e se organizando bem longe da superfície virtual. “Eles se movem pela rede p2p para trocar arquivos”, explica de la Fuente. As redes p2p permitem que duas pessoas se conectem diretamente uma ao computador da outra, utilizando a internet. O número de prisões ainda é baixo se comparado ao volume de vítimas.

Na Espanha, em 2008, mais de 200 pessoas foram presas em diversas operações, sendo que apenas duas delas produziam seu próprio material. No total, milhões de fotos diferentes foram apreendidas. Uma das ações, coordenada em outubro, contou com a colaboração da Polícia Federal brasileira, que apenas pôde emitir mandados de busca e apreensão.

No Brasil, por causa da falta de leis sobre pedofilia, a posse desse material não configura crime. Mesmo atrasado juridicamente, o país está entre os pioneiros na fiscalização, denúncia de conteúdo impróprio e articulação entre sociedade civil e Ministério Público. Entre 25 e 28 de novembro, o Rio de Janeiro sediará o III Congresso Mundial de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontece pela primeira vez fora dos países desenvolvidos.

Mobilização

Enquanto a polícia persegue os agressores profissionais, a blogosfera decidiu se unir hoje para bombardear os navegadores de quem consome esse tipo de imagens com uma mensagem contra a pedofilia. Entre 20 de outubro e ontem, a campanha “Pornografia Infantil Não” havia recrutado mais de 940 blogs escritos em oito idiomas, incluindo o português, e já contava com mais de 22 mil posts no sistema GoogleSearch condenando a busca, posse, produção e distribuição de imagens pornográficas envolvendo crianças e adolescentes. Os textos utilizam ainda outras palavras-chaves favoritas de quem tenta conseguir esse tipo de material, como “angels”, “boyboy”, “lolitas”, “fetishboy” e “preteens”.

O jornalista de la Fuente foi responsável por iniciar a campanha, mas a viralização da idéia ficou a cargo de voluntários espontâneos do mundo todo, que traduziram o cartaz virtual, publicaram vídeos no YouTube e inclusive criaram um grupo na rede social Facebook, hoje com mais de 3.400 membros. “Eu nem conheço quem fez isso. Pensava que teria uma repercussão pequena, mas a resposta foi dez vezes maior do que imaginei”, afirma.

Para participar da campanha, basta escrever um texto contra a pornografia infantil e publicá-lo em seu blog preenchendo, no campo de tags, os termos “pornografia infantil não”, “angels”, “lolitas”, “boylover”, “preteens”, “girllover”, “childlover”, “pedoboy”, “boyboy”, “fetishboy” ou “feet boy”. Quem quiser incluir o blog na lista oficial de participantes precisa deixar um comentário neste post com o endereço virtual.

Papai Noel X Reis Magos: um duelo natalino

Papai Noel, sinto magoar o senhor, mas a verdade me parece clara como o céu que me fez companhia durante a sua viagem pelo mundo: não há como ganhar dos três Reis Magos.

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No dia 4 de janeiro, eu, o Silvio e a Bê passeávamos pela praça central de A Coruña quando encontramos uma fila. Como bons paulistanos, fomos ver do que se tratava. Eram os Reis Magos que vieram bater um papo com a criançada. Aproveitei e fui descobrir mais sobre os três com os maiores especialistas no assunto.

Para quem não sabe do que eu estou falando, aqui na Espanha a tradição natalina é um pouco diferente: as crianças, essas mini-santas pacientes que estavam transbordando de ansiedade nesse fim de semana, só recebem os presentes hoje, 6 de janeiro, Dia de Reis.

Até existem alguns bonecos do Papai Noel por aqui. Eu vi UM daqueles papais noéis pendurados para o lado de fora da janela para fingir que ele está escalando com seu saco de presentes. Mas as decorações de Natal são as mais variadas. O shopping perto de casa tinha personagens do Snoopy na árvore de Natal e coqueiros luminosos do lado de fora. Em todas as casas, porém, o presépio está lá. Com os três homens em cima de camelos em destaque. São aqueles que, quando a gente monta o presépio no Brasil, sempre atrapalham a disposição. Impossível colocar um em cada lado, pois eles estão em número ímpar. Perto da manjedoura, com aqueles camelos enormes, nem pensar. Acabam ficando em uma linha diagonal no fundo, atrás do burrinho, do estábulo, da estrela guia, onde couber.

Aposto que vocês nem sabem o nome deles. Pois é, os Reis Magos têm nome sim! E tem rostos individuais! Gaspar é o de barba dourada, Baltazar é o negro sem barba e Melchor tem barba branca. São as grandes figuras do Natal e, ontem, os telejornais e as páginas de notícia na internet acompanharam os desfiles que eles fizeram em várias cidades espanholas. Aliás, modernidade é com eles mesmos: em 2008, eles criaram um blog e até começaram a twittar.

Mas o meu assunto aqui é a contenda Papai Noel versus Reis Magos e como os últimos dão de lavada no bom velhinho. Exponho minhas evidências empíricas e recorro a teorias dos mais diversos campos do conhecimento para provar minha tese.

Comecemos pela matemática. Três contra um, ora, não há nem o que discutir. Nem que o senhor fosse o Careca conseguiria marcar numa partida dessas, porque eles seriam Lugano, Miranda e Rogério Ceni, o goleiro que não só defende, mas também faz gols.

Poderes mágicos sobram para os dois lados. O trenó e as renas encantadas que voam ao redor do planeta durante a noite do dia 24 são, claro, uma ferramenta exemplar, irretocável. O exército de duendes para ajudar o senhor a fabricar todos aqueles brinquedos também é motivo de inveja. Mas o reis são reis e, por isso, têm recursos ilimitados. E são magos, portanto, também conseguem estar em vários lugares ao mesmo tempo, como no desfile em Madri e distribuindo caramelos em Vigo. Empate.

O trio da Espanha também segue tão mal quanto a equipe alvirrubra do Pólo Norte se formos falar sobre maneiras de controlar as crianças. Aqui, se você não for bonzinho, ganha carvão dos reis (antigamente, Baltazar era o único carrasco, mas isso mudou). Como na história do Papai Noel, não existe família cruel o suficiente para manter a promessa feita em um momento de impaciência. Até o diabinho disfarçado de mini-pessoa ganha algo no fim do ano de travessuras.

Agora chega a parte onde eu acho que o Papai Noel será escorraçado. Em termos de consumismo, é claro que, no mundo em que vivemos, todos os países travam uma corrida no rumo oposto ao recomendável. E, tirando talvez os Estados Unidos e a Inglaterra, que ganham de disparada no quesito “amontoado ridículo de presentes sem significado”, todo o resto do mundo que celebra o Natal acaba mais ou menos igualmente consumista. Por outro lado, o fato de os presentes chegarem só no Dia de Reis, e não no 25, restringe a reunião familiar a algo… familiar. Comida, piadas, abraços, brigas. Mas ficar de olho no que está debaixo da árvore não é uma opção. Isso só no ano seguinte, quando, inclusive, há mais eventos em família.

A última categoria fica aberta à interpretação de quem pretende ler até o final. Como o dia 25 é feriado, o dia 1º é über feriado, e o dia 6 também, a população espanhola só volta ao trabalho e à escola depois dessas festividades todas. Por isso vocês estão aí no Brasil trabalhando desde segunda (ou sexta passada), e eu acordei às 14h hoje. Quem ganhou?