Papai Noel X Reis Magos: um duelo natalino

Papai Noel, sinto magoar o senhor, mas a verdade me parece clara como o céu que me fez companhia durante a sua viagem pelo mundo: não há como ganhar dos três Reis Magos.

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No dia 4 de janeiro, eu, o Silvio e a Bê passeávamos pela praça central de A Coruña quando encontramos uma fila. Como bons paulistanos, fomos ver do que se tratava. Eram os Reis Magos que vieram bater um papo com a criançada. Aproveitei e fui descobrir mais sobre os três com os maiores especialistas no assunto.

Para quem não sabe do que eu estou falando, aqui na Espanha a tradição natalina é um pouco diferente: as crianças, essas mini-santas pacientes que estavam transbordando de ansiedade nesse fim de semana, só recebem os presentes hoje, 6 de janeiro, Dia de Reis.

Até existem alguns bonecos do Papai Noel por aqui. Eu vi UM daqueles papais noéis pendurados para o lado de fora da janela para fingir que ele está escalando com seu saco de presentes. Mas as decorações de Natal são as mais variadas. O shopping perto de casa tinha personagens do Snoopy na árvore de Natal e coqueiros luminosos do lado de fora. Em todas as casas, porém, o presépio está lá. Com os três homens em cima de camelos em destaque. São aqueles que, quando a gente monta o presépio no Brasil, sempre atrapalham a disposição. Impossível colocar um em cada lado, pois eles estão em número ímpar. Perto da manjedoura, com aqueles camelos enormes, nem pensar. Acabam ficando em uma linha diagonal no fundo, atrás do burrinho, do estábulo, da estrela guia, onde couber.

Aposto que vocês nem sabem o nome deles. Pois é, os Reis Magos têm nome sim! E tem rostos individuais! Gaspar é o de barba dourada, Baltazar é o negro sem barba e Melchor tem barba branca. São as grandes figuras do Natal e, ontem, os telejornais e as páginas de notícia na internet acompanharam os desfiles que eles fizeram em várias cidades espanholas. Aliás, modernidade é com eles mesmos: em 2008, eles criaram um blog e até começaram a twittar.

Mas o meu assunto aqui é a contenda Papai Noel versus Reis Magos e como os últimos dão de lavada no bom velhinho. Exponho minhas evidências empíricas e recorro a teorias dos mais diversos campos do conhecimento para provar minha tese.

Comecemos pela matemática. Três contra um, ora, não há nem o que discutir. Nem que o senhor fosse o Careca conseguiria marcar numa partida dessas, porque eles seriam Lugano, Miranda e Rogério Ceni, o goleiro que não só defende, mas também faz gols.

Poderes mágicos sobram para os dois lados. O trenó e as renas encantadas que voam ao redor do planeta durante a noite do dia 24 são, claro, uma ferramenta exemplar, irretocável. O exército de duendes para ajudar o senhor a fabricar todos aqueles brinquedos também é motivo de inveja. Mas o reis são reis e, por isso, têm recursos ilimitados. E são magos, portanto, também conseguem estar em vários lugares ao mesmo tempo, como no desfile em Madri e distribuindo caramelos em Vigo. Empate.

O trio da Espanha também segue tão mal quanto a equipe alvirrubra do Pólo Norte se formos falar sobre maneiras de controlar as crianças. Aqui, se você não for bonzinho, ganha carvão dos reis (antigamente, Baltazar era o único carrasco, mas isso mudou). Como na história do Papai Noel, não existe família cruel o suficiente para manter a promessa feita em um momento de impaciência. Até o diabinho disfarçado de mini-pessoa ganha algo no fim do ano de travessuras.

Agora chega a parte onde eu acho que o Papai Noel será escorraçado. Em termos de consumismo, é claro que, no mundo em que vivemos, todos os países travam uma corrida no rumo oposto ao recomendável. E, tirando talvez os Estados Unidos e a Inglaterra, que ganham de disparada no quesito “amontoado ridículo de presentes sem significado”, todo o resto do mundo que celebra o Natal acaba mais ou menos igualmente consumista. Por outro lado, o fato de os presentes chegarem só no Dia de Reis, e não no 25, restringe a reunião familiar a algo… familiar. Comida, piadas, abraços, brigas. Mas ficar de olho no que está debaixo da árvore não é uma opção. Isso só no ano seguinte, quando, inclusive, há mais eventos em família.

A última categoria fica aberta à interpretação de quem pretende ler até o final. Como o dia 25 é feriado, o dia 1º é über feriado, e o dia 6 também, a população espanhola só volta ao trabalho e à escola depois dessas festividades todas. Por isso vocês estão aí no Brasil trabalhando desde segunda (ou sexta passada), e eu acordei às 14h hoje. Quem ganhou?

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2 Respostas para “Papai Noel X Reis Magos: um duelo natalino

  1. Anarina 1 x o Papai Noel

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