O ciclone

Sexta-feira, 23h30

Escrevo essas linhas com o computador fora da tomada e da rede mundial, porque o ciclone que está de visita em A Coruña acaba de provocar o terceiro blecaute em três horas. Só consigo ver parte do teclado e a tela, e escuto o vento batendo na janela externa. A Coruña ficou famosa por suas galerías, as janelas externas nas varandas e terraços. No meu apartamento, temos a doble ventana (janela dupla), que serve para proteger a casa do frio e evitar gastos com aquecedores. O ciclone, porém, não quer nem saber desses detalhes.

Lá fora, uma mão invisível parece usar os cabos de eletricidade como corda de pular, o que pode explicar a volta de uma luz mais fraca que o normal. O vento – dizem que chegou a 160 quilômetros por hora – abre e fecha as pesadas tampas da lixeira na calçada e me lembra a tampa da caixa de tic-tac, aberta com um simples peteleco.

Acessaria meu blog para ver a foto do céu azul desfazendo o mito de que aqui o inverno era rigoroso, mas a tempestade me impede de conectar qualquer conteúdo fora do meu HD. Fico com as imagens guardadas no C:, do pôr-do-sol visto da minha janela, e a lembrança de que eu aproveitei muito bem os momentos de sol que parecem agora tão distantes.

Minhas primeiras horas na Espanha também me vêm à mente. Durante a parada do ônibus que me trouxe de Madrid à Galícia, uma senhora coruñesa que se mudou para Madri com os pais, mas resolveu voltar à terra natal, me contou coisas ótimas sobre o inverno daqui: temperatura variando entre os 8 e os 18 graus, sem neve, tempo muito mais ameno que no resto do país. E em seguida penso no Vicente, cozinheiro venezuelano que me hospedou quando eu cheguei. “O frio entre pelos ossos”, respondeu ele quando eu mencionei as maravilhas que havia ouvido da senhora. Até duas semanas atrás, eu pensava que a reação do Vicente era apenas uma história típica dos latino-americanos que vêm viver aqui. Hoje deu para entender.

Quarto blecaute. Ok, ciclone, vou escovar os dentes no escuro, como Regina, Maria e Conceição fazem todos os dias, faça chuva ou faça sol. E dormir. Se você deixar, é claro.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Sábado, 02h07

O La Voz de Galicia tem como manchete, nesse momento, uma notícia contabilizando as mortes causadas pelo temporal: 12 pessoas em toda a Espanha. Para quem achava que texto e vídeos do estilo jornalístico “mundo cão” era exclusividade brasileira…

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Uma resposta para “O ciclone

  1. Ana Carolina Moreno

    Te respondi com mais detalhes por e-mail, mas só para o caso de não ter ficado claro, repito aqui: o nome do blog é Unha Galiza e está em galego, não em português.

    E, se você tivesse tido respeito por mim, teria lido o post no qual você comentou, onde eu uso a palavra Galícia porque escrevo em português. Antes de sair por aí julgando tudo o que eu sei ou não sei, respeito ou não respeito, pense um pouco se você realmente sabe do que fala.

    Ah, e entre o sujeito e o verbo não há espaço pra vírgula.

    Abraços!

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