Arquivo do mês: fevereiro 2009

os felizes e ébrios caçadores de insultos

Encontraram um dos piores insultos em espanhol em Torres Vedras, cidade portuguesa onde fomos pular o Carnaval. Víctor, como um monstro espalhafatoso (sem a máscara nessa hora), e Chico, o mexicano (o bigode é real… ou não).

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tudo azul

Dias sem nuvens em Estoril.

Andorinha

livropraia

Esperei esse dia chegar desde 21 de novembro, quando me disseram que aquele era o dia mais curto do ano e, a partir do dia 22, amanheceria mais cedo e eu não teria que pegar o ônibus para o curso pensando que Deus ajuda quem cedo madruga. A cada dia, estaríamos mais perto do verão e do sol das 22h, onde meia-calça, gorro e bota seriam termos proibidos, banidos, ofensivos, palavrões piores do que qualquer coisa que a mãe do juiz de São Paulo X Corinthians escutou ontem.

É claro que quem me disse isso – não sei se propositalmente ou não – errou a data do solstício de inverno por um mês. Mas a ilusão pegou e, todas as manhãs, eu olhava com atenção pela janela para ver se o dia já começava a ser companheiro mais fiel que a noite. Minhas análises matinais terminavam sempre com um franzido na testa e grunhidos que fariam o personagem de Paul Newman em Gran Torino orgulhoso.

O mês de janeiro eu já sabia que seria o pior de todos. O ciclone que deixou a gente no escuro e virou exercício de crônica no Máster (nosso amigo Klaus) veio acompanhado de chuvas de granizo e algumas outras tormentas menores. Fevereiro chegou com a tormenta no próprio Máster e dias tão corridos que nem se o sol da meia-noite fosse um fenômeno local eu perceberia.

Um fim de semana em Portugal mudou tudo. Quando voltei, percebi que as luzes dos postes se apagavam antes de a gente sair de casa e que já não mais pegávamos o ônibus das 19h quando pareciam 22h. Um dia, fiquei olhando para o céu para determinar o horário em que o azul escuro predominaria sobre o claro e isso só aconteceu umas 19h30. Finalmente, com o fim da “Semana Fatal”, onde todos os trabalhos do Máster se coincidiram porque esse que começa passaremos nas sucursais fazendo um mini-estágio, o sol começou a brilhar e decretei que o inverno havia chegado ao fim.

accuweather1

Com um mês de antecedência ao calendário e alguns mais para a noção oficial que alguns espanhóis têm sobre o verão. Os outros, que eu encontrei fazendo de tudo pela praia – bicicleta, soneca, pesca, corrida, futebol, passeio com o cão, com os filhos, com os pais, picnic ou apenas sentar para pensar -, parecem concordar comigo. Eis o vídeo*:

*Dedicado ao tio Laerte (e o YouTube se recusou a aceitar a versão em alta qualidade, por isso vocês não podem ver o que eu vi)

Fragmentos desconexos que se encontram no final

Publicado originalmente no De Primeira.

Nesse sábado estava em Lisboa (não é nada chique passar 14 horas dentro de um ônibus onde é proibido comer e o assento reclina dos 90 até uns 85 graus do chão) jantando com um torcedor do Sporting (não é o que vocês estão pensando) que não curte futebol porque não vê graça em 22 homens correndo atrás de uma bola. Comi arroz e feijão pela primeira vez em três meses e desde então me afundei em uma depressão saudosista com direito a inveja do povo alagado na Avenida Pompéia. Ele admitia pra mim que o Sporting é o time dos mauricinhos, enquanto eu desenhava na toalha (de papel) da mesa o esquema 3-5-2 do Muricy, e como ele estava experimentando um 4-4-2 esse ano, e o português dizia “por que diabos eu estou falando sobre futebol?” E depois fui mostrar pra ele o esquema tático do Deportivo La Coruña e ele perguntou “quem era o português que jogou lá?”. Como eu não sabia, enviei um SMS para o meu amigo espanhol dizendo “Pregunta urgente: cual fue el portugués que jugó en el Dépor?” (aí acabou meu crédito e hoje tive que correr atrás de orelhão e orelhão aqui também não funciona).

No dia seguinte, na parada do ônibus noturno sem banheiro sem travesseirinho sem cobertorzinho (preciso dizer que leito nem deve ter tradução pro espanhol?), o motorista Miguel viu seu Porto empatar com o Benfica em um a um, e eu torcendo pra dar empate mesmo, porque peguei raiva de time grande e quero que os clássicos se explodam (mas domingo o Tricolor vai ganhar e 10% do Morumbi é justo).

Ontem nem vi o que passou porque viajar 12 horas durante a noite num veículo onde se faz um calor infernal em pleno inverno ibérico (ok, nao é a Finlândia, mas faz frio) é sinônimo de não dormir. Só me lembro que o catalão sentado ao meu lado estuda História da Arte em Santiago de Compostela e odeia o Barcelona e repetiu três vezes que não sabia qual era a graça de 22 caras correrem atrás de uma bola (Ferran, dejaste tu libro en el autobús, yo lo tengo conmigo, si lo quieres avísame, vale?)

E hoje não consigo ver o jogo contra a Itália (já acabou?) porque o jornal não tem banda suficiente pro justin.tv. Mas a Globo me deixou ver o gol do Robinho e eu consegui dar replay umas 10 vezes até que recebi o seguinte aviso: “Os direitos de exibição deste conteúdo restringem sua visualização ao território brasileiro”. Sorte que os italianos já colocaram o vídeo no YouTube e eu reproduzo aqui porque era esse o tema do meu post.

É óbvia a graça de ver o Robinho correndo atrás da bola perdida pelo Gaúcho, recuperando a maledetta e fazendo três italianos correndo atrás dela feito baratas tontas. Ou é só comigo?

PS1: Andrade e Pauleta são dois portugueses que se destacaram no Dépor (Pauleta dá um pouco de raiva nos torcedores porque não jogou bem lá, mas é um craque). Atualmente, Zé Castro veste a camisa 5.

PS2: Meu amigo do SMS diz que o Robinho é um craque sim, mas que só arrisca jogadas como essa quando o time dele está ganhando, e que isso o deixa “hasta los huevos” (um “me deixa por aqui” que não requer o sinal da mão atravessando a testa). O Djalminha, por sua vez, arriscava o pescoço mesmo num 0 a 0 e é por isso que 95% dos torcedores do Dépor, quando me conhecem, mencionam o nome dele antes da dupla Bebeto-Mauro Silva (esses dois últimos ganham a preferência de quem gosta dos jogadores comportados). Quem concorda levanta a mão.

no algarve sem o carregador

Muts durante o nosso passeio por Faro enquanto a Ciça apresentava o trabalho dela (a última foto da minha câmera antes de acabar a bateria).