Fragmentos desconexos que se encontram no final

Publicado originalmente no De Primeira.

Nesse sábado estava em Lisboa (não é nada chique passar 14 horas dentro de um ônibus onde é proibido comer e o assento reclina dos 90 até uns 85 graus do chão) jantando com um torcedor do Sporting (não é o que vocês estão pensando) que não curte futebol porque não vê graça em 22 homens correndo atrás de uma bola. Comi arroz e feijão pela primeira vez em três meses e desde então me afundei em uma depressão saudosista com direito a inveja do povo alagado na Avenida Pompéia. Ele admitia pra mim que o Sporting é o time dos mauricinhos, enquanto eu desenhava na toalha (de papel) da mesa o esquema 3-5-2 do Muricy, e como ele estava experimentando um 4-4-2 esse ano, e o português dizia “por que diabos eu estou falando sobre futebol?” E depois fui mostrar pra ele o esquema tático do Deportivo La Coruña e ele perguntou “quem era o português que jogou lá?”. Como eu não sabia, enviei um SMS para o meu amigo espanhol dizendo “Pregunta urgente: cual fue el portugués que jugó en el Dépor?” (aí acabou meu crédito e hoje tive que correr atrás de orelhão e orelhão aqui também não funciona).

No dia seguinte, na parada do ônibus noturno sem banheiro sem travesseirinho sem cobertorzinho (preciso dizer que leito nem deve ter tradução pro espanhol?), o motorista Miguel viu seu Porto empatar com o Benfica em um a um, e eu torcendo pra dar empate mesmo, porque peguei raiva de time grande e quero que os clássicos se explodam (mas domingo o Tricolor vai ganhar e 10% do Morumbi é justo).

Ontem nem vi o que passou porque viajar 12 horas durante a noite num veículo onde se faz um calor infernal em pleno inverno ibérico (ok, nao é a Finlândia, mas faz frio) é sinônimo de não dormir. Só me lembro que o catalão sentado ao meu lado estuda História da Arte em Santiago de Compostela e odeia o Barcelona e repetiu três vezes que não sabia qual era a graça de 22 caras correrem atrás de uma bola (Ferran, dejaste tu libro en el autobús, yo lo tengo conmigo, si lo quieres avísame, vale?)

E hoje não consigo ver o jogo contra a Itália (já acabou?) porque o jornal não tem banda suficiente pro justin.tv. Mas a Globo me deixou ver o gol do Robinho e eu consegui dar replay umas 10 vezes até que recebi o seguinte aviso: “Os direitos de exibição deste conteúdo restringem sua visualização ao território brasileiro”. Sorte que os italianos já colocaram o vídeo no YouTube e eu reproduzo aqui porque era esse o tema do meu post.

É óbvia a graça de ver o Robinho correndo atrás da bola perdida pelo Gaúcho, recuperando a maledetta e fazendo três italianos correndo atrás dela feito baratas tontas. Ou é só comigo?

PS1: Andrade e Pauleta são dois portugueses que se destacaram no Dépor (Pauleta dá um pouco de raiva nos torcedores porque não jogou bem lá, mas é um craque). Atualmente, Zé Castro veste a camisa 5.

PS2: Meu amigo do SMS diz que o Robinho é um craque sim, mas que só arrisca jogadas como essa quando o time dele está ganhando, e que isso o deixa “hasta los huevos” (um “me deixa por aqui” que não requer o sinal da mão atravessando a testa). O Djalminha, por sua vez, arriscava o pescoço mesmo num 0 a 0 e é por isso que 95% dos torcedores do Dépor, quando me conhecem, mencionam o nome dele antes da dupla Bebeto-Mauro Silva (esses dois últimos ganham a preferência de quem gosta dos jogadores comportados). Quem concorda levanta a mão.

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