Arquivo do mês: março 2009

Viver na Espanha é…

…só sentir fome a partir das 14h.

A estréia espanhola do meu biquíni

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De longe, bem de longe, enquanto subia por rochas empilhadas há dois mil anos pelos celtas no Castro Baroña, dava para ver um punhado de pessoas na praia Arealonga. Jogam frescobol, passeiam com seus cães, lêem livros, dormem a siesta. Umas pessoas se acomodam mais nos extremos da praia, muitas jovens demonstram muito talento com aqueles instrumentos circenses enquanto conversavam. Pouca gente se arrisca no mar gelado. Aponto minha câmera e tiro uma foto, dando destaque para a única construção humana ao pé da areia – um casarão digno do aumentativo, pintado de branco, repleto de janelas.

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Agradeço ao Marcos, que me levou até lá, por avisar de antemão que a praia era nudista. O assunto surgiu durante a manhã, quando paramos em frente à igreja de Noia para bater papo. O galego, que tem sete ou oito viagens por várias partes do Brasil, e algumas ex-namoradas verde e amarelas na bagagem, criticava o duplo sentido que dávamos para o público e o privado.

Ele tem certa razão em achar estranho que uma sociedade onde as pessoas saem à noite, se enroscam (preferi usar uma palavra mais doce) com um/a perfeito/a estranho/a e nunca mais os verão ache um escândalo o topless. Como podemos deixar tanta gente encostar no nosso corpo, mas na hora de ir para a praia, usamos aquele fio dental e, na parte de cima, um biquíni minúsculo, mas com pano suficiente para que ninguém veja o mamilo de ninguém?

Marcos vai além: até as meninas usam a parte de cima do biquíni. Como é que pode??

Naquela hora, a única resposta que eu arrisco é o fato de cada país criar seu próprio significado para cada símbolo. Praia é um lugar público, aberto, ao ar livre, onde gente de todas as idades se reúnem durante o dia. Balada é um lugar fechado, escuro, onde só duas pessoas passam por esses momentos “doces”, e ninguém liga pra eles porque cada um está buscando seu próprio açúcar. “Yo que sé”, emendo ao final.

Mas foi pisar nas areias de Arealonga que eu vi claramente: cultura é cultura. Marcos pode não entender como a gente fica nas baladas, e eu posso não entender como eles acham normal tamanho agrupamento de seios ao ar livre – nem no vestiário feminino vi tantos pares juntos de uma vez. Mas nós dois precisamos aceitar que os símbolos são esses.

Ah, mas se fossem só esses os símbolos que eu presenciei… O topless, meus amigos, é fichinha, e já sei que o verei diariamente nas praias de Coruña quando o sol permitir.

Porém, Arealonga é uma das 59 praias nudistas indicadas pela Asociación Naturista de Galicia. O grupo é bem claro ao explicar, em sua página, que “la nueva regulación en el código penal de los ‘delitos de escándalo públicos’ y la supresión de la tipificación como faltas de las conductas que atentan contra la moral convierten, teóricamente, en apto para la práctica del nudismo cualquier punto de la geografía española”. Traduzindo para o bom e velho português, isso quer dizer que esta que vos escreve corre o risco de se deparar, em qualquer lugar, com mais liberdade do que seria benéfico presenciar assim, sem aviso prévio.

A associação lista apenas as 36 praias nudistas mais populares da província de Coruña, 20 de Pontevedra e 3 de Lugo. Ourense é a única província ausente nessa lista. Atribuo a esse fenômeno o fato de essa região, em específico, não ter costa.

Fomos a uma das mais famosas, umas das pioneiras, onde, na década de 80, os jovens idealistas do movimento Tetiñas Free (tradução desnecessária) enfrentaram o pudor e o tradicionalismo para libertarem-se das roupas de banho. Esse parágrafo ligeiramente épico serve só para dizer que um dos meus professores do máster participou desse grupo de ativistas. Esse mesmo senhor toma posse, no mês que vem, no Parlamento Galego. Representando o partido grande mais conservador da Espanha.

Preparada que estava, vesti a mesma cara de pôquer que usei para entrevistar o Kassab empilhado em uma montanha de produtos piratas apreendidos, ou no CT do Palmeiras no dia em que fui levar meus amigos para conhecer as estrelas do alviverde. Transcrevo um mini-manual:

  1. Não se deixe surpreender. O que você está vendo é normal.
  2. Não reaja abruptamente, para não chamar a atenção dos outros e tornar mais difícil fingir que aquilo tudo é normal.
  3. Nunca aponte o dedo para lugar algum.
  4. Deixe a máquina fotográfica dentro da mala.

Praias naturistas não requerem que você tire sua roupa (ufa). Mesmo com alguns peladões e alguns vestidões, era óbvio que algumas pessoas eram iniciantes como eu. Achei uma menina brasileira ali perto – além de vestir o biquíni completo, o estilo do biquíni era brasileiro e o sotaque era paulistano, meu. Uma norte-america de sotaque espanhol enroladíssimo passou vários minutos admirando boquiaberta até finalmente sentar na canga e acender um cigarro de chocolate. Sem tirar a saia nem a blusa, me fazendo perguntar se ela já participou do Mardi Gras em Nova Orleans.

De minha parte, pareço ter evitado transparecer qualquer blefe. O que não quer dizer que as praias corunhesas ganharão uma nova adepta da prática.

omg party!

Preparando a surpresa pro aniversário da Ana María.

500 euros…

…se parecem com isso aí.

peixe até aposentar

No mercado municipal da Plaza de Lugo.

peluquería

cortei e não gostei.

edición de información de servicios

Cris, Marina e Xavi no carro do Víctor. Voltávamos de um exercício prático para o módulo do Laureano.