Arquivo do mês: abril 2009

Cousas a facer ata o domingo

1. Descubrir donde vén o olor malo que o vento trae e me causa mareo.

2. Terminar o deseño da páxina do meu proxecto.

3. Escribir os reportaxes do módulo da Susana.

4. Escribir a crónica do módulo do Ignacio.

5. Visitar o planetário.

6. Chamar a miña nai e a miña avoa, que cumpre anos o domingo.

7. Chamar a Alba, que tamén cumpre anos o domingo. Sen embargo, moitos anos menos que a miña avoa, por suposto.

8. Ver Lost na Cuatro en castelán.

9. Dormir, para que o Paco non se enfade. Mais eu sei que non se enfada, porque nunca pasa nada.

10. Escribir un texto para o blog en galego.

Reforçando mitos climáticos

Há alguns meses, farta da pergunta “tá fazendo muito frio aí?”, publiquei esta foto, que neste exato momento é minha favorita do blog, para explicar que aqui em Coruña o inverno não é branco nem tão rigoroso quanto em outras partes da Europa.

Após o Carnaval, começamos (as estrangeiras, claro) a comemorar o fim da ventania galega e o sol que começava a ocupar o céu, o mar e o meu Firefox (recomendo o complemento do Accuweather para quem gosta de meteorologia).

Dessa vez venho para fazer o contrário. Publico este printscreen do meu computador, para dar-me oficialmente por vencida e aceitar os avisos de praticamente todos os locais. A foto do lado de fora da janela nem tirei porque a depressão provocada pelo simples ato de olhar para o céu já esgota qualquer força necessária para erguer a câmera, mirar e fazer clique.

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Coruñeses desse e de outros mundos, felicitem-se. Vocês ganharam mais uma adepta do lema “abril, águas mil”.

fim de festa

Voltei da Itália, enquanto minha família foi pra França e agora está tomando café da manhã de hotel. Nhé.

Meu primeiro terremoto

Não avisei que passaria o feriado na Itália porque esqueci. Fui encontrar meus pais e irmãs, que estão passando três semanas de férias na Europa. Entre os dias 3 e 10 de abril, visitei Roma, Vaticano, Siena, Pisa, Florença e Milão. Estávamos em Roma durante o terremoto, dormindo profundamente depois de 12 horas de intensa caminhada. Só ficamos sabendo que um terremoto havia chegado até ali na manhã seguinte. Escrevi uma crônica para o Terra Magazine que reproduzo aqui, para quem quiser saber mais sobre as minhas impressões do abalo.

PS: É estranho voltar da Itália para a Espanha e pensar “lar, doce lar”?

Na Itália, turistas acompanham tragédia pela TV

Ana Carolina Moreno/Terra Magazine

Na Itália, mulheres da Cruz Vernelha estão mobilizadas para ajudar as vítimas dos terremotos

Na Itália, mulheres da Cruz Vernelha estão mobilizadas para ajudar as vítimas dos terremotos

Ana Carolina Moreno
Da Itália, especial para Terra Magazine

O mar de cadeiras de plástico esparramadas de maneira pouco ortodoxa pela Praça de São Pedro era prova indubitável, junto com o mau humor geral dos funcionários da segurança, de que o Vaticano acordara de ressaca naquela segunda-feira. Sinal de que o Domingo de Ramos havia rendido. O dia seguinte ao início da Semana Santa começou exatamente igual a todas as outras edições do principal feriado cristão: com um verdadeiro rebanho de turistas atrás dos tesouros que os papas acumulam desde a Renascença. Quem deu a notícia, seis horas após a tragédia, foi James, guia turístico.

– Vocês sentiram o terremoto ontem? Sim, é verdade, houve um terremoto de madrugada, 3,8 na Escala Richter, 16 pessoas morreram. Mas o epicentro foi em uma cidade a uns 60 quilômetros de Roma.

Um casal de salvadorenhos mencionou ter visto algo na CNN antes de sair do hotel. James encerra o assunto com uma piada:

– É o terceiro terremoto que eu perco por estar dormindo…

São nove horas da manhã e, como o terremoto aconteceu de madrugada, os jornais do dia não tiveram tempo de trazer mais que a previsão de tempo ensolarado para a capital italiana, algum rescaldo do último escândalo do jogador brasileiro Adriano, da Inter de Milão, e alguma nota sobre imigrantes romenos atacados por neofacistas. Dentro do menor país do mundo, a Cidade-Estado do Vaticano, não há bares com o típico grupo de aposentados dando palpites sobre todos os assuntos, ou restaurantes com televisão para que seja possível acompanhar as notícias de hoje. Só resta aos quase dez mil italianos e estrangeiros, mesclados igualitariamente, sem discriminação religiosa, viver por algumas horas o passado glorioso dos grandes mestres renascentistas Michelangelo e Rafael.

A Semana Santa mal chegou ao seu ápice e a situação já é totalmente oposta. L’Aquila é um nome conhecido por qualquer pessoa que tenha passado por uma banca de jornal em território italiano nos últimos três dias. A cada nova edição impressa, sobe o número de mortos, surgem alertas de novos tremores e, raramente, conta-se uma história de sobreviventes. O papa Bento XVI, pego de surpresa na semana mais importante do ano, emite comunicados diários dizendo que reza principalmente pelas crianças mortas, enquanto espera um espaço na agenda para visitar a região. A missa oficial desta Sexta-Feira da Paixão – decretada dia de luto nacional pelas mortes em Abruzzo – na Praça de São Pedro terá menção especial às vítimas e sobreviventes do terremoto, enquanto um funeral coletivo será realizado pelo arcebispo de L’Aquila, sem a presença do pontífice.

As buscas pelos últimos desaparecidos se encerram no Domingo de Páscoa. Mas, entre os turistas que já tranquilizaram seus parentes preocupados, o assunto só surge quando alguma televisão está ligada. Quando é o caso, não há como desviar do tema. Todos os noticiários e programas de auditório dedicam suas transmissões à exploração de qualquer detalhe sobre a tragédia.

Até o Grande Fratello, a versão italiana do reality show Big Brother, começou sua edição da quarta-feira com as imagens editadas da casa onde oito homens e mulheres estão confinados, em Roma. O tremor chegou a fazer tremer as câmeras, acordou quem dormia e fez quem estava acordado fugir correndo para o quintal.

Na terça-feira, os participantes do programa sabiam o mesmo que os turistas: o terremoto havia feito 90 vítimas, ferido 1.500 e danificado estruturas importantes de L’Aquila, como a prefeitura e o hospital da cidade. No vilarejo de Onna, apenas uma casa saiu ilesa do abalo sísmico, que não era de 3,8, mas de 6,3 na Escala Richter. Dentro do Coliseu e de outros sítios arqueológicos, porém, o assunto eram as ruínas da época do Império Romano.

Passado o choque, a população italiana começou a se movimentar para enviar ajuda. Em Siena, ao meio-dia de quarta-feira, três senhoras chamavam a atenção em frente a uma das igrejas da cidade medieval toscana. Eram voluntárias da Seção Feminina da Cruz Vermelha Italiana de Siena. Com uma mesa, um talão de notas, panfletos fotocopiados e um cartaz branco escrito a mão com caneta vermelha, explicaram que já haviam colhido doações em dinheiro de cerca de 50 pessoas naquele dia, e esperavam chegar a cem.

– Qualquer pessoa pode doar qualquer valor. Toda ajuda conta – explicou a senhora do meio, Maria de Grazia.

A gerente de recursos humanos paulista Ninon Amorim, de 48 anos, estava em Milão na noite de domingo para segunda, em uma viagem pela Itália com um grupo de 47 turistas. Até o fim da semana chega em Roma, onde o terremoto chegou a provocar danos mínimos em algumas estruturas. Antes de visitar o Batistério de João Batista, ontem em Florença, ela afirmou não ter medo de seguir a viagem.

– Fiquei preocupada, mas não tinha noção da dimensão dos estragos. Só com o passar dos dias percebi que o terremoto foi grande mesmo.

O tamanho da generosidade dos italianos parece seguir a mesma proporção. De acordo com Ricardo Mansani, que trabalha para a Misericórdia de Florença, a população da Toscana já doou três milhões de euros para a Defesa Civil da região de Abruzzo. Já é possível doar pelo celular e nas agências bancárias. Mas quem não tem telefone ou conta de banco italianos, só pode contribuir se reparar, entre tantos monumentos históricos florentinos, na placa onde se lê “Emergência Terremoto Abruzzo”. Apenas duas pessoas que não vestiam o uniforme da entidade chegaram a entrar no edifício, na manhã de quinta-feira.

Matteo Madrigali, de 29 anos, ainda não fez a sua parte. Prefere esperar até que o governo tenha um plano detalhado de ação. Ele desconfia de possíveis oportunistas. Assim como a maioria, Matteo não culpa a administração atual pela situação precária das estruturas, que poderiam ter salvo boa parte das 290 vítimas, segundo a última contagem.

– O novo código de obras existe desde 1980, então, se há culpa, ela é de todas as gestões passadas. O pior foi que eles tiveram que levar os prisioneiros mafiosos para Roma. Eles são pessoas muito perigosas e estavam todos em L’Aquila, mas agora não está seguro deixá-los lá.

Detalhes como esse, além da contagem quase em tempo real do número de mortos, são desconhecidos dos turistas. Um grupo de argentinos – alguns deles italianos que emigraram quando crianças – estava no navio a caminho da Itália quando descobriu que a região de um deles havia sido fortemente atingida pelo terremoto. Desde então, tentam seguir as notícias, porque seu itinerário inclui uma visita a L’Aquila.

Segundo a contadora Amalia Torta, de 59 anos, uma das senhoras chegou a cogitar mudar os planos. Mas, até agora, todos seguem firme no trajeto inicial, mesmo acreditando que ainda haja “uns mil desaparecidos”. O número oficial é de dez pessoas que ainda não foram encontradas nos escombros. Um tema, no entanto, ninguém ignora: as críticas ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi por não ter escutado os alertas do técnico Giampaolo Giuliani sobre o vazamento anormal de gás naquela região, em março.

Quem conhece tanto a perspectiva local quanto a estrangeira entende o distanciamento que os turistas atualmente na Itália mantêm do tema. A jornalista americana Alexandra Lawrence, de 32 anos, vive na Itália há uma década e, mesmo tendo sentido dezenas de tremores desde então, vê como normal o fato de os visitantes estarem mais preocupados com as filas dos museus ou o preço abusivo de uma lata de refrigerante.

O acompanhante turístico Filippo vive na Espanha, mas passa o feriado em seu país natal, a Itália, e disse que esse foi o terremoto mais forte que já sentiu. Ele via televisão em seu quarto em Roma e se assustou tanto que não pôde mais dormir.

– Entre os italianos a gente tem falado muito sobre o terremoto, mas com os turistas não escuto nada sobre o tema. Eles não são afetados diretamente, então eu entendo a posição deles.

Filippo mostra como a Itália reage à tragédia. Acostumados com abalos sísmicos acima de 5 pontos na Escala Richter (esse foi o sétimo desde 2002), eles se unem em solidariedade às vítimas enquanto cobram, com certa resignação, por construções mais seguras. Acostumados com o grande fluxo turístico (só em Roma, são 18 milhões de visitantes por ano), eles não se incomodam com o fato de sua tragédia pessoal ser percebida como mais uma pitoresca história que levarão da viagem, como as impressões que tiveram da Capela Sistina. De qualquer maneira, nunca o presente ocupou tanto espaço nas históricas celebrações cristãs da Semana Santa italiana.

Clases de Español – 1: REMONTADA

Publicado originalmente no De Primeira

Estava eu aqui confortavelmente no sofá, escrevendo a primeira frase do meu post, que criticava o meio de campo decepcionante da Espanha hoje, na partida contra a Turquia pelas eliminatórias da primeira Copa do Mundo sem a presença do Brasil Copa de 2010. Já passavam dos 45 do segundo tempo, faltava quatro para o fim da brincadeira, e o camisa 7 espanhol, Güiza, chega primeiro que dois turcos em uma bola enfiada e consegue cruzar para o 10, Reira, chegar primeiro que o goleiro e colocar a pelota por baixo das pernas do meta. Três minutos de firulas depois, fim de jogo, Turquia 1, Espanha 2.

Os onze de Dunga contra o Equador estão mais para Turquia do que para Espanha, que nos ensina uma palavra valiosa: remontada.

No sentido literal, ela quer dizer “de virada”. A Turquia marcou primeiro, em um lance que poderia causar suspeita de impedimento, mas que foi mais culpa da confusão espanhola do que falta de visão do bandeira. Já era o segundo tempo quando o árbitro marcou pênalti após cobrança de um escanteio que virou um jogo de batata quente dentro da área turca, e acabou tocando a mão de um dos defensores.

O gol da virada foi pura sorte. O comentarista Delfín Melero, do Marca, que comentava a partida minuto a minuto, encerrou seu trabalho dizendo que a Espanhã foi “tocada por uma varinha de condão”.

Sem piadinhas, por favor, que o assunto é sério. São seis jogos e seis vitórias, apenas dois gols contra e 13 a favor (média de dois por partida). Aliás, há 31 jogos a seleção da Fúria não sabe o que é perder, um recorde conquistado pelos treinadores Luís Aragonés (campeão da Eurocopa) e Del Bosque (o atual), que hoje se iguala ao período entre 1994 e 1998, quando a Espanha foi eliminada da Copa da França. E, ao que parece, a equipe do nosso espião Marcos Senna chegará à África do Sul se achando o último biscoito do pacote. Em setembro, recebe em casa a Bélgica (7 pontos em 5 jogos) e a Estônia (5 pontos em 6 jogos). No mês seguinte, embarcar em duas viagens turísticas: Armênia (1 – hum – ponto em 6 jogos) e Bósnia (9 pontos em 5 jogos, a segunda colocada do grupo, com metade do aproveitamento espanhol).

Mas a sorte só vem com vontade. A Espanha de hoje entrou em campo sem jogadores importantes, como Fabregas, Villa e Puyol. Sentiu a falta principalmente do segundo, já que o menino-prodígio Fernando Torres esteve apagado durante toda a partida. O time jogou feio, errou passes, se desarrumou depois do gol. Mesmo assim, ganhava todos os rebotes, corria sempre mais e não se dava por satisfeita. Não se contentou com o empate fora de casa, não se acomodou com o primeiro lugar folgado da tabela, não perdeu a paciência com a barulheira que a torcida turca fez do início ao fim do jogo.

Dunga poderia vir aqui atrás de inspiração. Ou, pelo menos, buscar inspiração na inspiração dos espanhóis: João Saldanha, que hoje ganhou a companhia de Del Bosque na posição de recordista em vitórias consecutivas de um treinador de seleção. Nove. Hoje pode ser um bom dia para começar.

Em tempo
E o chocolate boliviano que está em andamento nesse instante? Pelo menos Dunga não será a piada da rodada.