Clases de Español – 1: REMONTADA

Publicado originalmente no De Primeira

Estava eu aqui confortavelmente no sofá, escrevendo a primeira frase do meu post, que criticava o meio de campo decepcionante da Espanha hoje, na partida contra a Turquia pelas eliminatórias da primeira Copa do Mundo sem a presença do Brasil Copa de 2010. Já passavam dos 45 do segundo tempo, faltava quatro para o fim da brincadeira, e o camisa 7 espanhol, Güiza, chega primeiro que dois turcos em uma bola enfiada e consegue cruzar para o 10, Reira, chegar primeiro que o goleiro e colocar a pelota por baixo das pernas do meta. Três minutos de firulas depois, fim de jogo, Turquia 1, Espanha 2.

Os onze de Dunga contra o Equador estão mais para Turquia do que para Espanha, que nos ensina uma palavra valiosa: remontada.

No sentido literal, ela quer dizer “de virada”. A Turquia marcou primeiro, em um lance que poderia causar suspeita de impedimento, mas que foi mais culpa da confusão espanhola do que falta de visão do bandeira. Já era o segundo tempo quando o árbitro marcou pênalti após cobrança de um escanteio que virou um jogo de batata quente dentro da área turca, e acabou tocando a mão de um dos defensores.

O gol da virada foi pura sorte. O comentarista Delfín Melero, do Marca, que comentava a partida minuto a minuto, encerrou seu trabalho dizendo que a Espanhã foi “tocada por uma varinha de condão”.

Sem piadinhas, por favor, que o assunto é sério. São seis jogos e seis vitórias, apenas dois gols contra e 13 a favor (média de dois por partida). Aliás, há 31 jogos a seleção da Fúria não sabe o que é perder, um recorde conquistado pelos treinadores Luís Aragonés (campeão da Eurocopa) e Del Bosque (o atual), que hoje se iguala ao período entre 1994 e 1998, quando a Espanha foi eliminada da Copa da França. E, ao que parece, a equipe do nosso espião Marcos Senna chegará à África do Sul se achando o último biscoito do pacote. Em setembro, recebe em casa a Bélgica (7 pontos em 5 jogos) e a Estônia (5 pontos em 6 jogos). No mês seguinte, embarcar em duas viagens turísticas: Armênia (1 – hum – ponto em 6 jogos) e Bósnia (9 pontos em 5 jogos, a segunda colocada do grupo, com metade do aproveitamento espanhol).

Mas a sorte só vem com vontade. A Espanha de hoje entrou em campo sem jogadores importantes, como Fabregas, Villa e Puyol. Sentiu a falta principalmente do segundo, já que o menino-prodígio Fernando Torres esteve apagado durante toda a partida. O time jogou feio, errou passes, se desarrumou depois do gol. Mesmo assim, ganhava todos os rebotes, corria sempre mais e não se dava por satisfeita. Não se contentou com o empate fora de casa, não se acomodou com o primeiro lugar folgado da tabela, não perdeu a paciência com a barulheira que a torcida turca fez do início ao fim do jogo.

Dunga poderia vir aqui atrás de inspiração. Ou, pelo menos, buscar inspiração na inspiração dos espanhóis: João Saldanha, que hoje ganhou a companhia de Del Bosque na posição de recordista em vitórias consecutivas de um treinador de seleção. Nove. Hoje pode ser um bom dia para começar.

Em tempo
E o chocolate boliviano que está em andamento nesse instante? Pelo menos Dunga não será a piada da rodada.

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3 Respostas para “Clases de Español – 1: REMONTADA

  1. Sentiu a falta, sobre todo, de Iniesta

  2. Ía dicir o de Iniesta, pero cheguei moi tarde…

  3. dicidi entrar aqui porque gosto,e senpre vou entrar

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