Arquivo do mês: agosto 2009

Vídeo: o que andei fazendo nesse verão

passeios por Coruña (comida da Andaluzía e de Aragón nas Casas Regionais e uma antologia da Rosalía de Castro na Feira do Livro Antigo) / jogo do Deportivo La Coruña (perdemos pro Atlético de Madrid) / batalha de fogos (ganhou Riazor de lavada) / jantar de despedida da Mary (ela e a Domy no fim abriram a garrafa de vinho) / jantar com meus amigos na Raxaría As Neves (e depois um show torturante do Raphael) / um pacote que a mamis enviou pelo correio (o par de botas, dono original da caixa, veio junto) / visita da Marina e da Azucena (o Miguel, marido da Susy e pai da Montse ficou de fora do vídeo…) / passeio pelo Parque Eólico da Galícia (os moinhos são gigantes, e há centenas deles!) / picnic em San Andrés de Teixido com os meus amigos portugueses Pedro, Melanie e Jorge / apresentação do Ibrahimovic como jogador do Barcelona (sim, eu estava ali, logo ao lado dele, no Camp Nou).

Off to see the world (ten fun things I did this summer) from Ana Carolina on Vimeo.

Deu no jornal #3: As raízes galegas dentro de cada um de nós

Ontem de manhã chegou a notícia na redação: a Galícia ganhou o Miss Universo. Adivinha qual foi a foto da primeira página do jornal de hoje?

lavoz240809

– Ué, mas não era venezuelana a menina que ganhou o concurso?

Claro. Mas descobri que um segredo não muito bem guardado, porque proclamado a sete ventos por aqui, é que todo mundo é galego.

Todo mundo mesmo. Martin Sheen nasceu aqui e emigrou. Seus filhos, ora, são galegos.

O inventor do pebolim é galego e há ainda uma controvérsia sobre a origem de Cristóbal Colón (ou Cristóvão Colombo), que muitos dizem ter nascido em Pontevedra.

Fernando Torres, o Niño da seleção espanhola, passava as férias na Costa da Morte e teve um filho com sua namorada galega. É, portanto, galego.

Dois dos cirurgiões que ajudaram no primeiro transplante de cara da Espanha são galegos, ainda que só um deles tenha nascido na Galícia.

O sangue revolucionário de Fidel Castro de onde vem? Daqui! Seu pai também é um emigrante. A Marina contou bem a história de como descobrimos que todos, provavelmente até eu e ela, e inclusive você, temos raízes aqui.

Seguindo este raciocínio, é galega Stefanía Fernández, a venezuelana de 18 anos coroada Miss Universo no domingo. Seus avós, como milhares de galegos, emigraram na década de 50 para a Venezuela. O casal retornou em 2001, mas a maior parte da família se encontra lá. E, segundo garantiu a avó da miss no jornal de hoje, todos os seus netos e bisnetos são lindos.

San Andrés de Teixido

Sonho realizado, graças aos portugueses Pedro, Jorge e Melanie. Mil fotos aqui.

Três dicas para sobreviver ao verão coruñes

Não chove há dez dias. Meu lema “mais sol, menos problemas”, adotado em 21 de junho de 2009, andava muito bem apoiado em uma das pernas: os problemas já estavam todos resolvidos, menos a tal pergunta “quando é que você volta, hein?”, que eu tinha que ouvir três vezes ao dia. O sol… nem tanto.

Além dos três dias secos e quentes que passei em Barcelona, minha situação atmosférica ia de mal a pior. Nesses últimos dias, sem embargo (portunhol proposital, rá!), sigo mancando, só que com a outra perna. É claro que esse período tem data de validade: o problema é minúsculo, e a chuva, de acordo com os meus nove meses de experiência intensiva, é iminente. Enquanto dias melhores e menos ensolarados não chegam, escrevi a muleta abaixo para distrair a cabeça.

1) Fique por dentro do vocabulário: muitas palavras são iguais em espanhol, mas o significado é completamente diferente.

Verano = período de duração indefinida que, na Galícia, colocam entre a primavera e o outono para indicar aqueles poucos dias depois que a grama voltou a crescer muito e antes de as folhas das árvores começarem a cair. No resto da Espanha, significa o mesmo que no Brasil.

Viento = sinônimo de ar, ou oxigênio, ou qualquer coisa que está sempre (e quando eu digo sempre eu quero dizer sempre) ao seu redor quando você não está entre paredes

Solárium = lugar onde as pessoas vão para ganhar aquela cor de cenoura que só o bronzeamento artificial pode impregnar na sua pele

Crema solar = protetor solar

Áftêssún = loção pós-sol, ou after sun

Arena = grande conjunto de pedras minúsculas que servem para arranhar os banhistas nas praias de Riazor e Orzá

Sol = uma estrela grande que ilumina o nosso dia, mas nem sempre nos aquece

Aire condicionado = a praga que persegue no trabalho, nos carros de todos os meus amigos, no fretado e em todos os recintos nos quais eu entro que não são a minha casa (e meu otorrino tinha razão, aqui, longe dos trópicos, eu não tenho tanto problema respiratório…)

Cangas = uma cidade no sul da Galicia, lar do meu amigo Xavi e do amigo dele, Wally. Eu sou a única pessoa que vai de canga à praia, aqui eles só usam toalha e vão de roupa mesmo.

2) Revisite suas expectativas: as chances de uma pessoa conseguir um bronzeado duradouro e muitos dias de diversão na praia são mínimas, a não ser que:

– Ela esteja de férias (não é o meu caso)
– Ela pegue cor fácil com sol fraquinho (não é o meu caso)
– Ela trabalhe naqueles horários sortudos, como de 8h a 13h ou 17h a 23h (o segundo era o meu caso, mas só durante um mês, justo quando o verão ainda era uma mentira)
– Ela tenha carro para ir facilmente à praia na hora do almoço, ou trabalhe ali ao lado de uma praia que não lote ou vente demais (não é o meu caso)
– Ela tenha saco para sacrificar a hora do almoço com um sanduba na praia lotada de trabalhadores no horário de descanso (obviamente não é o meu caso)

Às pessoas que sim se encaixam em algum item acima ainda precisam estar sempre alertas: biquíni e toalha na bolsa, só para o caso de o sol aparecer justo na hora em que você está de bobeira. A expressão carpe diem ganha um significado extremo nessa época do ano.

3) Faça cara de “tudo bem, tudo tranqüilo, tudo normal, não estou nem um pouco chocada”: os hábitos dos espanhóis na praia são muito distintos dos nossos. Para manter as boas maneiras, é bom não apontar, nem escancarar os olhos, fazer cara feia ou dar risada quando…

– Você encontrar uma véia fazendo topless. Sim, meninos, aqui a maioria das mulheres que aderem à liberdade protegida por lei de tomar sol com os peitos à mostra são justamente as mulheres que lutaram para conseguir essa liberdade. Ou as mães delas. Ou seja, elas já estão ligeiramente passadas. Mulheres jovens que fazem topless em geral são as que estão em praias onde têm certeza de que não encontrarão conhecidos. Não é atravessar a rua e encontrar a versão “off-line” do Paparazzo. Em compensação, minhas pesquisas de campo indicam que pelo menos metade das senhoras evitam a famigerada “marquinha do biquíni”.

– Você não encontrar protetor solar em nenhum canto. Talvez eles não pegam um bronzeado tão facilmente como eu pensava, mas minha numerosa equipe de investigadoras brasileiras notou que quase ninguém se protege dos raios UVA e UVB.

– Todo mundo estiver bronzeado no começo de junho e só você ser adepta da moda “gasparzinho”. Bronzeamento aqui é como chuva: rola o ano todo. Nessa cidade de 243.000 habitantes deve ter, com certeza, no mínimo uns 50 lugares para fazer bronzeamento artificial. Eu escrevi uma reportagem sobre o tema e visitei quatro centros, mas outro dia, na depilação, perguntei pra dona do salão se ali também dava para fazer e ela me mostrou a máquina que fica em um quartinho. Não me lembro de ter recebido um “nunca” como resposta de ninguém que eu questionei se já tinha feito ou não. Mesmo se não fazem mais, praticamente todo mundo já experimentou passar uns minutos naquele bicho estranho alguma vez na vida. Homens incluídos nesta cifra mais do que científica.

fogos de artifício