POST DUPLO: Deu no jornal #4 + O fim do meu verão

Foto: Horizontal Integration (flickr)

Foto: Horizontal Integration (flickr)

Pra mim, é uma daquelas notícias que prova o quão irreal é o jornalismo. Porque se esse foi o verão mais quente desde 1970, então eu moro na Sibéria há dez meses e ninguém me avisou.

«Seguimos en la tónica de veranos cálidos, en la línea del cambio climático», precisó Ángel Rivera, portavoz de la Agencia Estatal de Meteorología (Aemet), en el habitual balance estacional del organismo.

Tudo bem, tudo bem, se eu estiversse na Andalucía ou na Cataluña estaria contente com o fim do calor sofrível que se enfrentou por ali. Até que o tempo melhorou na Coruña depois de julho, e fora a última frente fria, que foi embora antes do previsto, ontem à tarde, eu nem lembro de ter sofrido de maneira exagerada. Um mês e meio de verão. Acho que saí no lucro até.

Foto: Mr Jaded (flickr)

Foto: Mr Jaded (flickr)

Passei a semana passada preparando a despedida. Arrependida de pensar que
aquele vento só se tornaria mais forte,
o sol mais fraco,
a noite mais comprida,
o dia mais curto.

Tentando lembrar como é que eu me levantava às 7h30 todos os dias, quer dizer, noites. E como eu contei os dias entre o Natal e a primavera até que a luz dos postes já estivessem apagadas quando eu saía de casa.

Antecipando a depressão que certamente virá. Perguntando-me porque decidi ficar até o próximo verão, como é que me convenceram, devo ser uma grande tapada mesmo, pior, masoquista, só pode ser, será que encontro uma terapeuta boa e barata no novo bairro onde eu vou morar?

“Acabou o verão”, avisei no fretado terça-feira, enquanto ainda batia um solzinho. “É, o verão se vai hoje”, lamentei na quarta, observando o céu azul. “Pelo menos passei o último dia do verão em Barcelona”, comentei com a senhora que dividiu o táxi comigo desde o aeroporto, quando aterrizamos na típica Coruña chuvosa.

Que dia feio foi sexta-feira. Voltei para casa com meu colega da editoria enquanto comentávamos que aqui só há duas estações: um pouquinho de verão e direto pro inverno. Mas ele se lembrava de vários dias de outubro com a praia lotada. Isso há muitos anos, “antes del cambio climático”.

No sábado, abri o armário, respirei fundo, aceitei a mudança inevitável e apareci no estádio para o jogo do Dépor com meu uniforme: botas, sobretudo, gorro e cachecol. Trocando de cadeira para aproveitar todos os raios de sol que as nuvens deixavam passar.

E hoje escrevo essas linhas com as pernas de fora e uma blusa regata. Acho que eu moro mesmo é em São Paulo.


autoliniers.blogspot.com

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