Galiza, afinal, é ou “nom” é Espanha?

Não sei em que idioma está o título desse post, nem o da foto acima. Se for para reduzir em um só, diria que é o tal galego-português, o idioma que provoca nostalgia em pessoas que já perderam a perspectiva do que é a independência e a autonomia aplicadas ao cotidiano atual. Ênfase na palavra que indica que o século XVII já acabou. Mas, é claro, esse idioma é falado aqui, ainda que não seja aceito pela normativa gramatical vigente do galego, definida em 2004 e que excluiu muita coisa que existe fora do papel.

Adquiri o hábito de nunca usar a palavra “país” como sinônimo de “Espanha”. Uso “governo espanhol”, “Estado espanhol” e outras variantes. Mas também não uso “país” quando quero me referir à Galícia (ou Galiza, ou Galicia). Porque não importa o conteúdo da mensagem, geralmente o que vai se destacar é o separatismo que o termo carrega. Embora as comunidades aqui gozem de mais autonomia administrativa que o estados brasileiros (apesar de eu não saber até que ponto), para um olhar de fora está tudo dentro da Espanha. E a Espanha é um país, ora.

Meu olhar vai e volta. Para alguns assuntos eu já sou uma “nativa” (veja como escapei de ter que decidir entre “galega” e “espanhola”). Como só depois das 14h, considero acordar antes das 8h uma ação digna do verbo “madrugar” e incorporei todos os palavrões fáceis de pronunciar no meu vocabulário cotidiano. Mas em alguns quesitos sigo padecendo da simplificação que afeta quem só tem conhecimento superficial de um tema.

Procuro seguir a definição que me deram uma vez: “ver Galícia e Espanha como a mãe e o pai; você ama os dois da mesma forma e não tem como preferir um ao outro”. É uma grande tucanagem, admito, e não se aplica a todo mundo. Mas, no meu caso pessoal, faz muito sentido. Até que comece a Copa do Mundo, claro. Porque a partir de 11 de junho só tenho olhos para um País. Em maiúscula.

Quando o Twitter abriu as listas, eu logo criei uma chamada Espanha, para reunir a turma que conheço daqui. Logo recebi uma mensagem de um deles, o Héctor, pedindo para ser retirado da lista. Ele foi educado e disse que não sabia como evitar aparecer em listas, por isso me pediu para não ter que me bloquear (educado daquele jeito seco bem europeu, que não tem nada de mau educado ou grosso, mas espanta quem vem do Brasil). Obedeci na hora,  e só hoje, vários meses depois, entendi a razão: ele não queria privacidade, se excluir dessa nova ferramenta. Ele só não queria ser considerado espanhol. De fato, ele pertence a várias listas galegas.

Também hoje, no MSN, elogiei a sinceridade do “meu amigo Ramón” (já conhecido em outros blogs). Tenho um pé atrás quanto ao excesso de pessoas dissimuladas que encontrei por aqui, mas ainda mantenho acesa a ideia de que isso não passa de uma má impressão que eu preciso desfazer. -Eres el español más sincero que conozco, escrevi eu. Inicialmente titubeei entre dizer “más sincero de Galicia” e a mensagem que entrou na edição final, mas na hora recebi a resposta: Ele agradeceu, mas questionou a parte do “español”.

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Uma resposta para “Galiza, afinal, é ou “nom” é Espanha?

  1. Sim, outro dia me peguei navegando pela wikipedia sobre os idiomas galego, catalão e não acreditei que existiam essas variações tão sutis. Parecia um amigo uruguaio falando: Ora português, ora espanhol. Uma verdadeira colcha de retalhos.

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