Unha foraxida

Na praia de Orzán, em A Coruña

Na praia de Orzán, em A Coruña

Meu nome é Ana Carolina Moreno e eu deveria ser presa por maus-tratos às minhas próprias palavras. Em minha defesa, só tenho a declarar que o problema é clínico e persiste há umas duas décadas.

O primeiro caderno de que tenho memória tinha páginas cor-de-rosa e capa dura roxa com espiral. Nele escrevi, quando tinha entre uns seis ou oito anos, uma história sobre uma menina que ia dormir na casa da amiga. Aquele talento precoce foi, infelizmente, o meu ápice. Exceção justa feita ao livro de contos que eu co-escrevi aos 15 anos, onde minha incumbência foi escrever sobre assassinos que confundem suas esposas com legumes e transformar a Princesa Diana em uma alienígena do fundo do mar.

Desde então, venho mantenho uma rotina pouco saudável: comprar uma agenda da Capricho (geralmente sem coraçõezinhos bregas), esperar pelo primeiro dia do ano (geralmente na praia), escrever os nomes dos meninos em códigos (geralmente esquecia de todos eles, inclusive dos códigos, antes do ano seguinte), e abandonar o processo antes do Carnaval.

O comportamento que já era de se lamentar piorou na virada do século. Continuo mantenho juntando poeira por aí cadernos com média de preenchimento em 13%. Mas, desde 2000, quando aprendi HTML no Canadá, afundei ainda mais no meu vício: comecei a criar blogs e abandonar mundo virtual afora. Mydeardiary, Livejournal, Blogspot, aquele domínio grátis .tk, WordPress e no servidor dos amigos… Pode procurar em todos eles pela criança abandonada, vestida em trapos, mendigando por atualizações, ou só um pouco de amor e carinho.

Enquanto o Conselho Tutelar não vem me repreender, sigo sendo mãe de fato de apenas três blogs: o Vamos viver de brisa?, que se tornou um verdadeiro filho mais velho e anda cuidando de alguns irmãos espalhados por aí; o meu bebê adotivo De Primeira, que tem vários pais e, portanto, é mais indepedendente; e esse daqui, que eu resolvi criar às 3h da manhã de Natal sem antes considerar os prós e contras. Alguém conhece um bom anticontraceptivo virtual?

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4 Respostas para “Unha foraxida

  1. Fiel auto-descrição. Feliz natal.

    E feliz natal pros seus blogs e sites abandonados por aí, que os três reis magos se lembrem deles.

    Bjs
    S

  2. fjcapeletto

    O processo criativo não admite anticontraceptivo, ninguem deseja um aborto mental. Tenho situação semelhante à sua mas sou um otimista e sei que temos salvação, nada que um pouco de inédita organização e amadurecimento no uso do hábito e das ferramentas e estratégias e, principalmente, foco, metas de curto e longo prazo, não resolvam.
    Precisamos ser fieis aos nossos intentos, se preciso aprender a puxar o freio de mão para não ir com pressa demais ao pote e queimar cartucho, agora nessas pseudo-semi-ferias a ordem do dia é : configurar um dominio, instalar um joomla da vida, migrar todos os blogs espalhados por aí para um mesmo lugar (debaixo da minha asa sistemicamente falando, nao mais deixar em hosts por ai), e de forma amarrada e conectiva, fazer de cada migraçao e atualizaçao de conteudo retroativo, um exercicio ludico de retrospectiva agora twittado em tempo real, ao mesmo tempo em que ponho ordem na casa nos links delicious, na formaçao de tags que auxiliem à pesquisa academica e a organizaçao de novos goals profissionais, amarrrar tudinho, gerar um caso de uso e compartilhar com quem desejar, correr pro abraço e gerar uma plataforma de autodesenvolvimento de competencias ao mesmo tempo em que compartilha com os demais seus andamentos e opinioes, em pilulas homeopaticas.
    Beijo, prazer é meu, em janeiro eu lanço.
    @fjcapeletto

  3. Boa tarde, Ana. Gostaria de um endereço de email para contato.
    Abraços,
    Bia

  4. Anônimo

    Oi Ana, sou o “pobre coitado que come o pão que o diabo amassou” que trabalha de salva-vidas em La Corunha.
    Como se enterou da reportagem?
    Ahh, se vive por aqui, te convido pra tomar um café… e comer um pedacinho do pão comigo. Vai tá meio amassado pq o diabo é um “pesado” mas ñ passa nada… a gente molha na xícara e ele fica bom.

    Sorte com o bronzeado que busca,

    Daniel Jadach

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